Publicado em 29/07/2022 08:28

O Comando Nacional dos Bancários se reuniu na quinta-feira (28), com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para dar continuidade às negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2022. Na pauta estava a segurança dos bancos.
A Fenaban alega que houve redução de 98,5% no número de assaltos a agências e postos bancários de 2000 a 2021 e propõe que a representação dos trabalhadores se junte aos bancos e atuem contra as normas estaduais e municipais de segurança, que exijam aparatos de segurança além dos previstos na Lei 7.102/1983, que regulamenta a segurança bancária.
Os empresários do sistema financeiro querem eliminar definitivamente os vigilantes das agências bancárias e pretendem remover vários dispositivos de segurança das unidades. O representante dos banqueiros chegou a argumentar que manter os guardas aumenta o custo de operação das unidades e que para que não fiquem deficitárias, a solução seria aumentar ainda mais as metas de vendas de produtos.
“As agências já têm esse custo, não vai haver nenhum acréscimo. Falar em aumentar as metas é uma forma de tentar pressionar o movimento sindical a aceitar esta medida”, critica Adriana Nalesso, presidenta da Federa-RJ e integrante do Comando Nacional.
Esta não foi a única proposta absurda apresentada. A eliminação das portas giratórias de todas as unidades também foi defendida pela representação patronal. A Fenaban argumenta que muitas agências são unidades de negócios e não precisam de tantos dispositivos de segurança. “Nós podemos até debater o uso do aparato em unidades sem caixa e autoatendimento, mas as agências tradicionais não podem funcionar sem equipamentos e vigilantes. Os bancos se importam somente com a segurança patrimonial, mas a vida dos bancários e bancárias e também dos clientes e usuários não pode ser colocada em risco”, defende Adriana. A alegada necessidade de cortar custos mesmo em prejuízo da segurança é despropositada, sobretudo num setor que lucra bilhões todos os anos, independentemente da situação econômica do país.
Foi feita a proposta de criação de GT tripartite para debater o tema, mas a Fenaban recusou e disse que está aberta a debater o tema até o final de agosto e, caso contrário, assumirá a responsabilidade por tocar a pauta de acordo com seus interesses.
A próxima reunião de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenabam está marcada para segunda-feira (1º de agosto) para debater sobre saúde e condições de trabalho.
Fontes: Contraf-CUT e Federa-RJ