Bancários e bancárias de Campos aderem ao Dia Nacional de Luta

Publicado em 19/08/2022 12:32

O Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região aderiu ao Dia Nacional de Luta marcado para esta sexta-feira (19) e fez uma passeata no Centro da cidade para alertar a categoria sobre as rodadas de negociações e também aos clientes, uma vez que não havendo acordo, bancários e bancárias podem entrar em greve.

Durante a manifestação, dirigentes aproveitaram a visita às agências para dialogar com a categoria e com os clientes, além de distribuir material informativo.

A agência do Bradesco do famoso calçadão amanheceu envelopada com mensagens como “Bradesco fica com o lucro e o bancário com a demissão”, “O lucro sobe e o salário desce”, “Bradesco fica com bilhões e bancários com centavos”, e ainda “Não ao desemprego”. Esta é uma forma de protesto que evidencia a desigualdade e desproporção que existe entre os lucros dos banqueiros e a realidade dos bancários e bancárias.

A Campanha Nacional Unificada tem passado por rodadas duríssimas de negociação e com ameaças de ataques aos direitos trabalhistas já conquistados. Embora esteja desde o dia 15 de junho com a pauta de reivindicações em mãos, a Fenaban ainda não apresentou nenhuma proposta concreta.

O presidente do Sindicato, Rafanele Alves Pereira, lembrou que hoje é dia de negociação. “Se os bancos não apresentarem nenhuma proposta, nós vamos fazer grave. E todo mundo sabe que a greve dos bancários é longa. Os bancários e bancárias trabalharam todos os dias durante a pandemia, inclusive aos sábados, e os banqueiros não reconhecem isso.”

Entre as principais demandas estão a reposição da inflação com aumento real de 5% e aumento maior para os vales refeição e alimentação, para compensar a alta dos alimentos.

Os bancos apontam dificuldades na reposição da inflação, mas segundo o balanço do primeiro semestre de 2022, os lucros cresceram, mantendo alta rentabilidade das instituições. O Banco do Brasil, por exemplo, lucrou R$14,4 bilhões neste período, com uma alta de 44,9% em relação ao mesmo período no ano anterior. Já o Itaú Unibanco lucrou R$15,039 bilhões, uma alta de 16,2% em relação ao mesmo período de 2021.

Outras reivindicações dos bancários e bancárias afetam diretamente a qualidade do serviço prestado a usuários e clientes. Nos últimos quatro meses os bancos cortaram 1.227 vagas de trabalho, prejudicando o atendimento dado à população e colaborando com o aumento das filas de espera das agências, que na maioria das vezes faz com o cliente passe horas esperando atendimento do lado de fora, exposto a chuva e sol.

A segurança também está em pauta, uma vez que os banqueiros querem efetuar a retirada de portas giratórias e vigilantes das agências, deixando de garantir a proteção das vidas dos funcionários e clientes.

Os lucros bilionários e crescentes dão aos bancos todas as condições de atender as reivindicações dos bancários e bancárias, que são quem colaboram com a obtenção desses resultados exorbitantes. Atender às demandas da categoria é não apenas valorizar seu trabalho, mas também melhorar a qualidade do atendimento prestado à população.

A alta dos juros causa um aumento das dívidas das casas brasileiras e retira dinheiro de circulação. Pessoas endividadas não consomem, o que prejudica a economia nacional e ainda gera desemprego. Quando bancários e bancárias reivindicam direitos, também pensam nos interesses dos clientes.

Historicamente, as conquistas da categoria bancária foram alcançadas às custas de muita luta e o tempo todo é necessário combater as intensas tentativas de retiradas de direitos.

Hoje tem negociação. Fique pode dentro de todos os passos da Campanha Nacional Unificada 2022 e saiba como colaborar acompanhando o site e as redes sociais do Sindicato. A participação dos bancários e bancárias é essencial nessa batalha.