Veja avanços e barreiras das negociações

Publicado em 29/08/2022 09:49

Bancárias e bancários votaram na sexta-feira (26) em assembleia extraordinária da categoria realizada por meio virtual, rejeitando as propostas da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e aprovando a realização de assembleias permanentes.

A proposta de reajuste salarial foi de 75,8% da inflação, o que leva a categoria bancária a ter uma perda real de 2% nos salários. A Fenaban está com a proposta de reivindicações em mãos desde o dia 15 de junho e até o momento já foram realizadas 17 reuniões de negociação.

Com relação a proposta de Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) os bancos desistiram de pedir a compensação (redução) das verbas pagas em programas próprios na parcela adicional, mas para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (Seeb/SP), também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Ivone Silva, “os bancos ainda não conseguiram enxergar que precisam apresentar uma proposta que valorize a categoria, com aumento real nos salários e maior distribuição dos lucros para quem trabalha para que eles tenham seus lucros astronômicos”.

Para os tíquetes, os bancos ofereceram apenas a inflação geral (INPC) do período, que é de 8,68%, no entanto, a alta dos alimentos supera este índice.

Complementação do auxílio doença

Com relação ao auxílio-doença previsto na cláusula 29 da CCT, os bancos queriam incluir uma alínea ao parágrafo primeiro da cláusula para estabelecer que somente teria direito ao auxílio o empregado que tivesse retornado ao trabalho e teletrabalho ininterruptamente pelo período mínimo de 6 meses após o recebimento da última complementação, mas após reivindicação do Comando, os bancos retiraram a proposta.

Teletrabalho

Os bancos concordaram com a reivindicação de controle de jornada para todos os trabalhadores; com fornecimento e manutenção de equipamentos; com o direito à desconexão para que gestores não demandem os trabalhadores fora do horário de expediente dos mesmos; com a manutenção dos direitos da CCT aos trabalhadores que realizem suas funções fora das dependências do banco; com prevenção e precauções com a saúde dos trabalhadores; com a criação de canal específico para que os trabalhadores tirem suas dúvidas.

Os trabalhadores com filhos de até quatro anos ou com deficiência terão prioridade e as bancárias vítimas de violência doméstica poderão escolher se preferem trabalhar em domicílio ou nas dependências do banco.

Os bancos facilitarão a realização de campanhas de sindicalização e o contato com os trabalhadores em teletrabalho. Será criado um GT bipartite para acompanhar o cumprimento da cláusula. Ainda falta avançar na ajuda de custo.

Assédio Sexual

A nova cláusula sobre assédio sexual fará repúdio à esta prática nos bancos e os gestores e empregados passarão por treinamento para prevenção e esclarecimento sobre possíveis consequências. Também está em debate a participação das entidades sindicais no canal de denúncias a ser criado, assim como o acompanhamento dos casos pela comissão bipartite de diversidade que já existe.

Assédio moral e cobrança de metas

O tema será pautado na primeira reunião de negociação de 2023 dos bancos que têm comissões de empresa. Os bancos que não têm comissão de empresa devem realizar reunião específica com a representação dos trabalhadores para tratar do tema, a pedido do sindicato.

Banco do Brasil

Tivemos apenas uma reunião esta semana e falamos da questão das horas negativas, pois o BB não quer anistiar todas as horas. No entanto, nós mostramos que os funcionários não ficaram com horas negativas por vontade própria, mas em função da pandemia e por decisão dos gestores”, explicou a diretora do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Rita Mota.

Segundo a empresa, 20.912 funcionários ainda devem ao banco de horas negativas, em decorrência do Acordo Coletivo de Trabalho Emergencial da Covid-19. A proposta da direção do BB é que o acordo para pagar o banco seja prorrogado por mais 18 meses e cumprido em até duas horas acima da carga horária diária de trabalho. Na avaliação do funcionalismo, a proposta resolve os problemas do banco, mas não dos trabalhadores.

Nas negociações sobre Avaliação da Gestão de Desenvolvimento por Competências (GDP), Rita criticou a intransigência do BB que insiste em manter apenas um ciclo de avaliação, um retrocesso. Atualmente, o funcionário poderá ser dispensado da função ou descomissionado com três ciclos de avaliação “consecutivos de desempenho insatisfatório”. O BB trouxe a proposta de apenas um ciclo avaliatório para descomissionamento por desempenho, o que foi rejeitado pela representação dos trabalhadores.

Caixa Econômica Federal

Sentimos a direção da estatal muito acuada, demorando a responder, mas ágeis em apresentar propostas de retirada de direitos”, criticou o Rogério Campanate, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, que ressaltou ainda que as negociações com o banco não têm avançado.

Rigor nos processos de investigação dos casos de assédio sexual e moral foram cobrados, mas representantes do banco alegam que está em sigilo. O acúmulo de função também foi pauta nas reuniões. “Tem muita gente acumulando função sem ganhar nada para isso. Pedimos a criação de um GT para discutir a quebra de caixa. Cobramos a questão da descentralização de diversas áreas como a Gilog (Gerência de Filial Logística), melhores condições de saúde para os empregados, que estão adoecendo em função das condições precárias de trabalho, especialmente de doenças psíquicas”, disse Campanate, destacando que a Caixa ficou de avaliar as demandas.

Em relação à Funcef, o fundo de pensão dos trabalhadores da Caixa, a CEE cobrou de forma mais efetiva as questões de incorporação do REG e o contencioso. Sobre o teletrabalho, o banco disse que iria esperar as decisões da Fenaban.

Bancos privados

Quanto a questão dos bancos privados não houve avanços, exceto um item na mesa do Santander: o banco garantiu que não descontará programas próprios da PLR.

Pressão e mobilizações

Uma nova reunião com a Fenaban está agendada para segunda-feira (29), em São Paulo. Os bancos prometeram apresentar uma nova proposta e o movimento sindical espera que a representação patronal atenda às expectativas da categoria e apresente uma proposta decente, com aumento real e sem retirada de direitos, renovando a Convenção Coletiva de Trabalho, acrescentando itens importantes como melhores condições de saúde e de trabalho.

Um tuitaço está agendado para o mesmo dia, com o intuito de pressionar os bancos momentos antes da reunião.