Publicado em 26/09/2022 08:16

Muitos bancários se espantaram com o desconto retido na fonte sobre seus salários e sobre a primeira parcela da Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) recebida neste mês de setembro. Isso acontece em decorrência da falta de correção da tabela do Imposto de Renda. “Como a tabela não foi corrigida, mas a PLR e os salários aumentaram, alguns trabalhadores subiram de faixa de tributação e passaram a ter uma porcentagem maior de desconto”, explicou o economista Gustavo Cavarzan, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “E, desde 2015 não há correção da tabela do IR. Então, a cada ano aumenta o número de trabalhadores que contribuem e cada vez mais”, completou.
Por exemplo, um trabalhador que ganhava R$4.000,00 antes do reajuste de 8% nos salários, obtido na Campanha Nacional deste ano, pagava R$396,18 de INSS e se enquadrava na faixa de desconto de IR de 15%. Após o reajuste de 8% o salário passou a R$4.320,00. O desconto do INSS passou a R$440,98 e o trabalhador mudou para a faixa de desconto de IR de 22,5%.
Cálculos do Dieese apontam que, por exemplo, quem tem um salário bruto de R$5.000,00, caso a tabela tivesse sido corrigida pelo IPCA acumulado de 2015 até 2022, teria, no ano, R$3.175,42 a menos de tributação em seus salários (veja tabela com outras faixas salariais).

O atual governo federal é o primeiro eleito democraticamente, desde 1989, a não reajustar a tabela de cobrança do Imposto de Renda (IR). A ausência da correção faz com que o poder de compra do brasileiro, já bastante prejudicado pela alta da inflação, reduza ainda mais.
Hoje, pessoas que ganham até R$1.903 por mês ou R$22.847 por ano são isentas do IR pela Receita. Esse valor está vigente desde 2015. De lá pra cá, os preços aumentaram e os salários foram reajustados para tentar compensar a alta da inflação – inclusive o salário mínimo. Assim, ainda que o poder de compra tenha caído, o trabalhador passou a ganhar um valor nominal maior. Mas, sem a correção da tabela do IR, milhões desses trabalhadores que eram considerados isentos em 2015, hoje passaram a ter de pagar impostos.
De acordo com cálculo feito pelo Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional), a tabela acumula defasagem de 26,5% durante o atual governo – maior percentual já registrado na história.
Imposto da PLR
A falta de correção da tabela do IR também corrói os valores da PLR dos trabalhadores. Mas, desde 2013, existe uma tabela com faixa de valores diferenciada para esse ganho. A taxação da PLR começa para quem recebe a partir de R$6.677,56. Já a de rendimentos mensais começa a partir de R$1.903,99.
Antes, a tributação da PLR seguia a mesma tabela da tributação mensal dos salários. Em 2013, a então presidenta Dilma Roussef (PT) aumentou o valor de isenção da PLR para R$6.000,00 e criou uma tabela exclusiva para PLR, com descontos muito menores para os trabalhadores.