Caixa: quinto vice-presidente é afastado em meio a denúncias de assédio

Publicado em 19/10/2022 09:31

A Caixa Econômica Federal comunicou na segunda-feira (17) a renúncia do vice-presidente de Tecnologia e Digital, Cláudio Salituro. Recentemente, vídeos em que ele estaria constrangendo servidores do banco vieram à tona. Salituro é o quarto vice-presidente a deixar o cargo desde que o então presidente Pedro Guimarães foi alvo de denúncias de assédio sexual, em junho deste ano.

No comunicado, a Caixa disse que acatou o pedido de renúncia formalizado por Salituro, que alegou questões pessoais.

“A Caixa Econômica Federal comunica à sociedade brasileira, aos seus clientes e empregados, e ao mercado em geral que o Conselho de Administração acatou, nesta data, o pedido de renúncia, por questões pessoais, do Sr. Cláudio Salituro ao cargo de vice-presidente de Tecnologia e Digital”, escreveu o banco. “A Caixa agradece pelas relevantes contribuições, profissionalismo e dedicação, desejando-lhe sucesso nos novos desafios”, acrescentou. O nome do substituto não foi comunicado pela Caixa.

Em julho, o blog do jornalista Ricardo Noblat, no site Metrópoles, divulgou vídeos em que o vice-presidente aparece filmando e xingando servidores da Caixa. Nas imagens, Salituro utiliza palavrões e profere xingamentos contra os funcionários e terceirizados da empresa. Na época, a Caixa afirmou que o material seria apurado pelo banco e por uma auditoria privada contratada após as denúncias virem à tona.

A Caixa tem 12 vice-presidências e desde o início das denúncias, Salituro é o quinto vice do banco a cair: o vice-presidente de Negócios de Atacado, Celso Leonardo Barbosa, próximo a Pedro Guimarães e também citado em denúncias; o vice-presidente de Logística, Antônio Carlos Ferreira; a vice-presidente da Rede de Varejo, Camila de Freitas Aichinger; e o vice-presidente de Riscos, Messias dos Santos Esteves.

Ex vice-presidente da Caixa, Cláudio Salituro

Denúncias em série no banco

As denúncias de assédio moral e sexual praticados pelo ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que comandava o banco desde o início do governo Jair Bolsonaro, vieram à tona no fim de junho. O material foi divulgado pelo site Metrópoles e confirmado pela TV Globo.

As funcionárias do banco que passaram pelas situações de assédio já tinham denunciado os casos à Justiça e, naquele momento, decidiram também levar a denúncia à imprensa.

O Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho e o Tribunal de Contas da União abriram investigações sobre o caso.

Segundo o MPT, a primeira denúncia de assédio sexual contra o ex-presidente da Caixa aconteceu em julho de 2019, quando Guimarães estava há apenas seis meses no exercício do cargo. Mas, segundo os procuradores, a empresa não adotou qualquer providência para investigar a denúncia.

Devido à suposta omissão, o MPT pediu a condenação da Caixa Econômica Federal em R$305 milhões.

Os procuradores também solicitaram que a Justiça determine que a Caixa abstenha-se de praticar ou permitir a prática de quaisquer atos que importem a retaliação a pessoas que utilizem o canal de denúncias interno ou que tenha participado como testemunha em investigação do Ministério Público ou dos demais órgãos de fiscalização.