Publicado em 19/10/2022 10:21

A ida ao supermercado tem custado cada vez mais caro no bolso dos brasileiros e o grupo de alimentos e bebidas acumula inflação de 9,54% no ano, de janeiro a setembro. É a maior alta para os nove primeiros meses do calendário em 28 anos, ou desde o início do Plano Real, apontam dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Trata-se do avanço mais intenso para o acumulado de janeiro a setembro desde 1994 (915,08%), quando o Brasil ainda vivia o reflexo da hiperinflação. O IPCA, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o índice oficial de preços no país.
Como o agronegócio brasileiro está hoje conectado com o mercado internacional, quando os preços no exterior sobem, acabam aumentando também internamente, já que o agricultor nacional pode vender a sua produção aqui ou exportar.
Em setembro, o grupo alimentação e bebidas até recuou 0,51% no IPCA. Foi a maior baixa desde maio de 2019 (-0,56%) e a primeira desde novembro de 2021 (-0,04%). Com o resultado, a inflação acumulada no ano desacelerou de 10,10% até agosto para 9,54% até setembro. No acumulado de 12 meses, a alta passou de 13,43% para 11,71%.
“O diagnóstico ainda é de uma inflação alta”, diz o economista Luca Mercadante, da Rio Bravo Investimentos. “É uma inflação que tem impacto na vida das pessoas. Elas percebem isso”, completa.
A trégua em setembro foi puxada pelo leite longa vida, que havia disparado anteriormente. Analistas avaliam que os alimentos tendem a ficar em um patamar elevado de preços até dezembro, mas com avanços mais moderados do que no começo do ano. Por ora, as projeções não sinalizam novas deflações para o grupo até o final de 2022.
Pior para os pobres
A alta da comida afeta sobretudo a população mais pobre, porque a compra de alimentos consome uma fatia maior do orçamento dessas famílias na comparação com faixas de renda mais elevadas.
No acumulado do ano, o melão foi o alimento que mais subiu dentro do IPCA. A alta dos preços alcançou 74,37% até setembro. Cebola (63,68%) e leite longa vida (50,73%) vieram em seguida. O tomate, por outro lado, teve a maior queda (-28,01%).
Auxílio só compra cesta em cinco capitais
Em setembro, o preço médio da cesta básica diminuiu em 12 das 17 capitais que integram levantamento mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Mesmo assim, apenas 5 das 17 metrópoles pesquisadas tinham cesta básica abaixo de R$600, o valor do Auxílio Brasil.
As cinco ficam no Nordeste: Aracaju (R$518,68); Salvador (R$560,31); João Pessoa (R$562,32); Recife (R$580,01) e Natal (R$581,53). São Paulo, por outro lado, seguiu com a cesta básica mais cara em setembro, R$750,74. Florianópolis (R$746,55); Porto Alegre (R$743,94) e Rio de Janeiro (R$714,14) vieram na sequência.
Em setembro, o IPCA, de modo geral, caiu 0,29%. A queda foi a terceira consecutiva, movimento puxado pela baixa da gasolina. O petróleo, contudo, voltou a subir nos últimos dias, o que pressiona os preços dos combustíveis no Brasil. A Petrobras vem evitando repasses nas refinarias às vésperas do segundo turno das eleições.
Mesmo assim, após 15 semanas de queda, o valor médio da gasolina passou a avançar nos postos brasileiros, conforme pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). O combustível foi vendido a R$4,86 por litro, em média, na semana passada.
*Com informações da Folha de São Paulo.