CUT e centrais sindicais recebem denúncias de assédio eleitoral

Publicado em 24/10/2022 11:37

O assédio eleitoral praticado por empresários para impedir o voto no candidato que os trabalhadores e trabalhadoras escolheram, disparou neste período que antecede o segundo turno das eleições, marcado para o próximo dia 30.

Um relatório parcial do Ministério Público do Trabalho (MPT) até às 15h da quinta-feira (20), mostra que 903 trabalhadores e trabalhadoras denunciaram 750 empresas que cometeram assédio eleitoral. Ou seja, houve empresas que foram denunciadas por mais de um trabalhador.

O aumento de relatos de irregularidades é de 325%, enquanto o de patrões denunciados é de 665% em relação ao período eleitoral de 2018, um recorde. Na disputa anterior, foram 212 reclamações contra 98 empresas.

“Esses dados demonstram a gravidade da situação. Isso influencia o processo eleitoral, é prejudicial. Houve essa explosão a partir do segundo turno. Os casos se multiplicaram e causa certo espanto”, disse o procurador-chefe do MPT-RS, Rafael Foresti Pego.

Não foi feita nenhuma denúncia de assédio eleitoral para beneficiar a candidatura do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As regiões Sudeste e Sul, respectivamente, lideram o número de denúncias. Os setores da indústria, comércio, agricultura, serviço público e serviços somam o maior número de denúncias. Entre os denunciados estão lojas, supermercados, fazendas, prefeituras, hotéis, serviços médicos, padaria, empresas públicas e até escola infantil.

Parte dos denunciantes se identificou e anexou prints, fotos, áudios e vídeos, ou seja, algum tipo de comprovação da denúncia descrita, mas todos exigiram anonimato. Relatam ter medo de serem perseguidos e demitidos pelos patrões.

Entre as empresas e patrões denunciados está a Havan, em Natal (RN). O denunciante conta que “o gerente da loja exigiu que todos os funcionários não votassem no dia 2 de outubro, e informou que, após a eleição, o supervisor do estabelecimento iria acompanhar todos os trabalhadores até a instância eleitoral da cidade para verificar se os funcionários teriam débitos (multa por não ter votado) com a justiça eleitoral. Caso não tivessem o tal débito, o funcionário seria demitido.” Tem também outras empresas conhecidas como Ypê, JBS e o Grupo Terra Boa.

No município de Campos dos Goytacazes houve denúncia de assédio eleitoral praticado por uma padaria.

“É muito importante que o trabalhador denuncie o assédio eleitoral e, para isso, não é preciso se identificar nos canais de denúncias da CUT e das centrais sindicais e também nos sites do Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público Federal”, orienta o advogado Antonio Megale.

Ele explica que, como provas, podem ser utilizadas mensagens de áudio, fotos, vídeos em grupos de WhatsApp, fotos de páginas de redes sociais, e-mails, etc. “Buscar os sindicatos é essencial. O sindicalismo tem papel central na prevenção e na denúncia de assédio”.

Confira abaixo a lista das empresas denunciadas por assédio moral nos canais da CUT e no das demais centrais