Entenda porque a inflação dói no seu bolso

Publicado em 24/10/2022 09:55

A inflação oficial do Brasil registra deflação pelo terceiro mês seguido, mas a população, em especial a de baixa renda, não sente a queda dos preços em seu dia a dia e continua achando que os preços estão pela hora da morte.

Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de -0,29% e registrou deflação pelo terceiro mês seguido. No ano, a inflação acumulada é de 4,09% e, nos últimos 12 meses, de 7,17%, segundo o Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).

Os trabalhadores e trabalhadoras que ganham menos, porém, não foram beneficiados com a queda dos preços. Eles sentem muito pouco a deflação por pelo menos dois motivos. Primeiro, o que mais impactou na queda da inflação foi a derrubada dos preços dos combustíveis, determinada o pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), em pleno período eleitoral. E a população que ganha menos, não tem carro, portanto, não sente tanto a queda dos preços da gasolina como os mais ricos.

Segundo, os trabalhadores de menor renda usam a maior parte do salário para comprar alimentos, que subiram demais e precisam cair muito para voltarem aos preços cobrados antes da disparada da inflação.

Um terceiro elemento dessa equação, ressalta o técnico do Dieese, Leandro Horie, é o rendimento médio real do trabalhador, que encolheu -4,27% de janeiro de 2020 a agosto/setembro de 2022. No mesmo período, diz Leandro, a inflação subiu 19,70%, a cesta básica +45,07%, o gás de cozinha +61%. Só o leite longa vida acumula alta de 84,20%, o óleo de soja de 123,20%, o café 84,20%. “Na prática, mesmo com esse alívio momentâneo da inflação, a perda de poder de compra foi muito grande, especialmente para a população de mais baixa renda”, afirma o técnico do Dieese Leandro Horio.

“Se considerarmos o período de janeiro de 2020 até junho de 2022, houve uma aceleração muito grande da inflação, ao mesmo tempo em que os rendimentos do trabalho, em termos reais, caíram”, explica o técnico do Dieese.

“Mesmo com algum refresco nos últimos três meses, além da variação dos rendimentos do trabalho ainda permanecer negativa no período como um todo, a queda da inflação não fez frente ao aumento anterior para quase todos os produtos, como alimentos em especial”, afirma Leandro.

O técnico do Dieese se refere alimentos básicos e essenciais na cesta dos brasileiros que subiram muito, alguns continuam subindo, outros caíram pouco e continuam com uma taxa acumulada de inflação altíssima.

O arroz, por exemplo, subiu 48,9% de janeiro a junho de 2020, caiu 1,2% entre janeiro e setembro deste ano. Precisaria cair 47,2% para voltar aos preços de 2020.

O feijão carioca (rajado) subiu 50,5% no primeiro semestre do ano passado, caiu 11,4% até setembro deste ano e ainda acumula 33,3% de alta em relação a 2020.

Outros produtos que dispararam, como o leite longa vida continuam subindo, apesar da deflação. Entre janeiro de 2020 e junho de 2022, o  produto  subiu 73,2%. De junho a setembro deste ano, aumentou mais 6,3%. A alta acumula de janeiro de 2020 a setembro 2022 é 84,2%, como mostra o gráfico acima.

O botijão de gás de 13 quilos é outro produto que não viu a cor da deflação. Aumentou 60,8% entre janeiro de 2020 e junho de 2022, mais 0,5%  até setembro deste ano e acumulada alta de 61,6%.

Confira a lista dos produtos que mais subiram desde 2020

Produtos —————-Variação líquida no período

Índice Geral————-19,7%

Abobrinha—————85,8%

Acém———————34,7%

Açúcar——————-75,5%

Alface——————–61,1%

Arroz———————47,2%

Azeite de Oliva———-31,3%

Banana d´água———-51,3%

Banana prata————-61,5%

Batata Inglesa————55%

Biscoito——————-38,7%

Café———————–84,2%

Cebola——————–121,7%

Cenoura——————52%

Achocolatado em pó—-35,7%

Contrafilé—————-29,8%

Costela——————-42,3%

Couve———————31,4%

Cupim———————49,6%

Etanol———————12,4%

Farinha de mandioca—-42,3%

Farinha de trigo———-73,9%

Feijão carioca————-33,3%

Feijão fradinho———–81,4%

Fígado———————42,8%

Frango em pedaços——-56,6%

Frango inteiro————-46,9%

Fubá de milho————-56,2%

Gás de botijão————-61,6%

Gás encanado————-43,6%

Gás veicular—————59,4%

Gasolina——————-8,9%

Iogurte/bebidas lácteas–38,2%

Lagarto comum———–33,5%

Lagarto redondo———-31,3%

Leite condensado———56%

Leite em pó—————-52%

Leite longa vida———–84,2%

Linguiça——————–38,2%

Maçã————————51,5%

Macarrão——————-36%

Mamão———————108,8%

Mandioca——————67,2%

Margarina—————–60,4%

Melancia——————-54,1%

Melão———————–137%

Morango——————–38%

Músculo———————44,5%

Óleo de Soja—————–123,2%

Fontes: CUT e Dieese