Publicado em 04/11/2022 10:58

Mais de 200 mil pessoas foram afastadas do trabalho por transtornos mentais em 2021. O dado é do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e contempla desde doenças mentais, como o Alzheimer, passando por depressão e distúrbios emocionais provocados por diferentes motivos.
Em 2019 foram 241.992 pessoas afastadas. Já em 2020, no auge da pandemia de covid-10, o número de trabalhadores afastados chegou a 291.390.
“Tinha dor de cabeça, náuseas e chorava muito fácil. Entrava em pânico quando pisava no hospital. Nos dias de folga, não conseguia aproveitar minha família. Foram seis anos assim, totalmente conturbados”, relata a curitibana Jully Anne Priscilla Zink Moreno, que trabalhou como secretária administrativa no setor operacional de um hospital por seis anos.
Por trás dos números do INSS, estão escondidas histórias de dor e tristeza. Hoje, com 36 anos, Jully fala na condição de quem superou a dificuldade. Pelas mãos e ombros dela pesava uma grande responsabilidade: a logística de materiais e cadastros em sistemas internos para mais de 1,5 mil médicos. Quando a saúde física e mental começaram a ser afetadas, ela percebeu que algo estava errado e buscou ajuda de um psicólogo.
“Ele me falou da Síndrome de Burnout. Comecei a tomar uma medicação, me afastei por uns dias e, no final, fiz um acordo com o hospital para rescindirmos o contrato. Me recuperei depois de muito tempo, engravidei, troquei de emprego”.
A Síndrome de Burnout, conforme especialistas, é desencadeada pelo estresse crônico no trabalho e se caracteriza pela tensão resultante do excesso de atividade profissional. O esgotamento físico e mental, a perda de interesse no trabalho, a ansiedade e a depressão estão entre os sintomas.
Ela passou a ser considerada doença ocupacional em 1º de janeiro de 2022, após a inclusão na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Categoria bancária
A maior causa do adoecimento na categoria bancária é a pressão, com assédio moral, por metas abusivas. Segundo levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nos últimos cinco anos, o número de afastamentos nos bancos aumentou 26,2%, enquanto no geral a variação foi de 15,4%. A variação entre os bancários foi 1,7 vezes maior do que a média dos outros setores.
O levantamento do Dieese, a partir de dados do INSS, aponta ainda que, as doenças mentais e comportamentais representavam 23% dos afastamentos previdenciários da categoria em 2012. Já em 2021, a porcentagem passou para 36%. As doenças nervosas saíram de 9% para 16%.
Para a categoria, o tema da Saúde tem uma importância muito grande e o tema assédio moral e metas será pautado na primeira reunião de negociação de 2023.
Fontes: G1 e Contraf-CUT