Apesar do lucro de bilhões, Itaú provoca onda de demissões

Publicado em 18/11/2022 10:39

O banco Itaú vem provocando uma onda de demissões no estado do Rio de Janeiro e só na área de atuação do Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região já foram 12 demissões desde o início de novembro.

Após anunciar a reestruturação e a automação de duas áreas (Consignado e Veículos) no mês de julho e sofrer pressão do movimento sindical, o banco se comprometeu a suspender as demissões durante todo o período de Campanha Nacional 2022. Após assinatura do acordo, porém, o banco está passando o rolo compressor e realizando desligamentos em massa.

A digitalização é um fato, todavia, o avanço das novas tecnologias está sendo utilizado para substituir a mão de obra e enfraquecer os direitos fundamentais do trabalho, quando, na verdade, deveria caminhar junto da capacitação dos trabalhadores, melhorando a qualidade do trabalho e, consequentemente, o atendimento aos clientes.

É inaceitável que após o anúncio de alta nos lucros, a instituição escolha demitir ao invés de investir nos seus funcionários. O Itaú Unibanco atingiu lucro líquido de R$23,118 bilhões nos primeiros noves meses de 2022, uma alta de 17,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Já no terceiro trimestre do ano corrente (julho até setembro), o lucro líquido foi de R$8,07 bilhões, alta de 5,2% em relação ao trimestre anterior.

Apesar dos números positivos, o banco privado fechou 247 agências físicas no país, em detrimento da abertura de 189 agências digitais nos últimos doze meses, deixando claro seu avanço no processo de transformação digital.

Vale ressaltar que o Brasil é enorme e funciona de maneiras diferentes dependendo da região. No interior do país, a digitalização dos processos bancários ainda não é uma realidade e, na prática, a redução do quadro de funcionários nas agências colabora com o aumento do desemprego de pais e mães de famílias, interfere na saúde mental dos bancários e bancárias que passam a sofrer com a sobrecarga de trabalho e ainda prejudica o atendimento prestado aos clientes e usuários.

A categoria bancária repudia esta medida cruel promovida por um banco tão lucrativo, que propaga a mensagem de mudar o mundo em suas campanhas publicitárias, mas desrespeita os seus funcionários e funcionárias.

O movimento sindical não vai aceitar abusos e demissões.