Privatizada, Light comunica crise

Publicado em 10/02/2023 11:33

Privatizada em 1996 sob o velho e falso argumento de que a iniciativa privada é melhor gestora, a Light diz agora, que está sem caixa para sustentar suas operações, o que pode comprometer a distribuição de energia para a população que vive na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A direção da Light afirmou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que a sua concessão “tem apresentado geração de caixa insuficiente para garantir sua sustentabilidade”. A empresa alega como motivo os furtos de energia (gatos) e a inadimplência, porém, não considera que a conta pelas perdas com os furtos é paga pelos consumidores.

Em 2020, por exemplo, a Aneel autorizava a Light a repassar 36% das perdas para os consumidores. Já em 2022, a Aneel autorizou que a concessionária repassasse 40% das perdas.

Importante ressaltar que entre os principais acionistas da Light está Beto Sucupira, envolvido na fraude bilionária do Grupo Americanas. Sucupira é sócio do grupo 3G, junto com Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles e tem pouco mais de 10% da Light, atrás apenas do fundo Samambaia, do investidor Ronaldo Cézar Coelho, ex-tesoureiro do PSDB. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, quem acompanha a empresa afirma que, nos últimos anos, a dupla teve influência decisiva na gestão do negócio por causa desse peso acionário.

Outro fator que gera desconfiança nos investidores é o fato da Light ter contratado a Laplace Finanças – que recentemente assessorou a Oi durante sua recuperação judicial.

Para Adhemar Mineiro, economista e ex-integrante do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), “isso mostra uma busca por lucro fácil e de curto prazo, com estes processos de privatização e, no caso do setor elétrico, são empresas estratégicas para o desenvolvimento nacional, onde tinha que ter planejamento e perspectivas de longo prazo”.

Adhemar avalia ainda ser muito danoso entregar estes setores a quem busca a ganância do lucro em prazo muito curto, aos quais chamou de ‘pescadores de água turva’, que ganham com a pouca transparência, tanto nos próprios processos de privatização das empresas, quanto depois, na sua gestão.

Fonte: CUT e Seeb/RJ