Publicado em 27/02/2023 13:35

Os empréstimos oferecidos pela Caixa Econômica Federal (CEF) aos beneficiários do Auxílio Brasil estão definitivamente cancelados pelo banco, após a direção realizar estudos técnicos sobre o consignado. A linha de crédito estava suspensa desde o dia 12 de janeiro para “revisão”, afirmou o banco, principal operador do empréstimo, em nota.
“Para os contratos já realizados, nada muda. O pagamento das prestações continua sendo realizado de forma automática, por meio do desconto no benefício, diretamente pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS)”, destacou o banco em nota.
Desde que foi instituído, o consignado do Auxílio Brasil recebeu críticas de economistas que denunciaram o superendividamento das famílias. Para eles, não havia sentido em oferecer crédito a juros altos para quem já precisava de auxílios do governo para sobreviver. A taxa extorsiva de juros está na margem de 79% ao ano, considerada por especialistas como ‘agiotagem’.
Os empréstimos do consignado do Auxílio Brasil somaram cerca de R$ 5 bilhões em outubro de 2022, mês das eleições presidenciais, de acordo com dados do Banco Central. A Caixa respondeu por R$4,3 bilhões liberados entre os dias 11 e 21 de outubro.
A medida do governo federal, antes das eleições, de conceder o empréstimo consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil, foi uma extensão das ações eleitoreiras de Jair Bolsonaro (PL), com o objetivo de atrair os votos dos mais pobres, o que não conseguiu.
Com a ajuda de aliados no Congresso, Bolsonaro conseguiu aprovar a chamada ‘PEC do Desespero’, manobra que, por Emenda Constitucional alterou a Carta Magna de forma a permitir que em ano eleitoral o Executivo fizesse ‘chover recursos’ à população. A medida previa benefícios a caminhoneiros, taxistas, aumento do Vale-Gás e elevação do valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600.