82 trabalhadores resgatados de trabalho análogo à escravidão em fazendas do RS

Publicado em 14/03/2023 13:31

Depois de informar que 56 trabalhadores, entre eles 11 adolescentes, foram resgatados em situação análoga à escravidão em duas fazendas de cultivo de arroz em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, o Ministério Público do Trabalho (MPT) atualizou os números e subiu para 82 o número de trabalhadores resgatados.

O resgate foi feito por auditores-fiscais do trabalho em conjunto com a Polícia Federal e MPT na sexta-feira (10), nas estâncias Santa Adelaide e São Joaquim, após uma denúncia sobre a presença de adolescentes nas propriedades, sem carteira assinada e com condições irregulares.

Nas duas fazendas os fiscais do trabalho descobriram que o grupo era contratado para fazer o corte do arroz vermelho, que é uma gramínea que cresce junto do arroz e provoca perdas à lavoura.

Os próprios trabalhadores deveriam providenciar instrumentos de trabalho e a aplicação de agrotóxicos era feita sem equipamento de proteção individual. Conforme os relatos, um dos menores sofreu um acidente com um facão e ficou sem o movimento de dois dedos dos pés.

Jornadas extenuantes, sede, fome e desmaios

As jornadas dos trabalhadores eram extenuantes e começavam antes mesmo de chegarem à frente de trabalho pois eram obrigados a caminhar sob o sol por cerca de 50 minutos, do alojamento até a área de cultivo do arroz e mesmo assim não tinham o direito sequer a beber água.

De acordo com o auditor-fiscal do trabalho, Vitor Ferreira, além de sede, os trabalhadores também passavam fome, porque a comida azedava ou estava infestada de formigas. O resultado é que chegavam a desmaiar de fome e sede, e ainda tinham descontos nos salários por isso.

Nos locais, foi constatado também que os trabalhadores recebiam R$ 100 por dia, pagos semanalmente, eram responsáveis por preparar o próprio almoço e obrigados a comprar as ferramentas usadas no trabalho. Os dias em que precisavam ficar afastados em razão de doença eram descontados do salário.

Na mesma ação de resgate, um homem de 56 anos, foi preso em flagrante suspeito de ser o responsável pelo aliciamento dos trabalhadores. A identidade do homem não foi revelada e ele foi solto no sábado após pagamento de fiança.

Esse é o segundo maior resgate registrado no Rio Grande do Sul, ficando atrás somente dos 207 trabalhadores encontrados no último dia 22 de fevereiro, em Bento Gonçalves.

Em todo o estado do RS já são até agora 291 resgatados em 2023.

Fonte: CUT