Publicado em 22/03/2023 13:12

As montadoras GM, Hyundai e Stelantis (dona das marcas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën) pararam na segunda-feira (20) por falta de peças e também de compradores. As três montadoras deram férias coletivas aos metalúrgicos e matalúrgicas. A Volksvagen do Brasil, que em fevereiro suspendeu pela quinta vez a produção em três de suas plantas no país por falta de chips semicondutores, essenciais para a tecnologia aplicada aos veículos, volta a parar no dia 27. E a Mercedes vai paralisar sua linha de produção e dar férias coletivas entre os dias 3 de abril e 2 de maio.
A pandemia vem forçando a paralisação das linhas de produção há cerca de dois anos por falta de chips semicondutores, mas agora, segundo reportagem do jornal O Estado de S Paulo, a interrupção da produção se deve também a queda nas vendas, em especial por causa dos juros altos que dificultam o acesso ao crédito.
Executivos e analistas do setor automotivo dizem que o problema de demanda já vinha ocorrendo, mas no ano passado foi, de certa forma, “maquiado” pela falta de chips. O crescimento de vendas previsto para este ano, na casa dos 4% nas contas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é pequeno e muitas montadoras continuarão fazendo ajustes.
A previsão do setor era de que boa parte dos mais de 600 mil carros que deixaram de ser produzidos nos últimos dois anos por falta de peças seria vendida neste ano, mas isso “não deve ocorrer diante da perda do poder de compra do consumidor, inflação e juros altos, restrição dos bancos na liberação de crédito por causa da inadimplência e indefinições de políticas econômicas por parte do governo”, disse Fernando Trujillo, consultor da S&P Global Brasil.
Um estudo recém-concluído pela entidade mostra que a indústria automotiva brasileira opera com quase 40% de ociosidade, diz o Estadão.
“Somente com a queda dos juros a economia do país voltará a crescer, beneficiando a maioria do povo brasileiro, com investimentos em áreas essenciais e geração de emprego”, disse a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira.