Publicado em 03/04/2023 14:13

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) realizou nos dias 30 e 31 de março o 3º Seminário Jurídico Nacional, na sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Além do evento presencial, o encontro também foi transmitido por plataforma digital para o Comando Nacional dos Bancários, sindicatos e federações.
No primeiro dia de evento, as propostas das centrais sindicais para a contrarreforma trabalhista brasileira foram apresentadas pelo assessor jurídico da CUT, José Eymard, e o sociólogo, assessor das centrais sindicais e ex-diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. A organização sindical do ramo financeiro foi o segundo tema, apresentado pela secretária da Organização do Ramo Financeiro e Política Sindical da Contraf-CUT, Magaly Fernandes.
Sobre a reforma trabalhista, José Eymard traçou um panorama da discussão do sistema sindical, desde antes da Constituição de 1988. O advogado destacou as lutas enfrentadas pelos trabalhadores, como liberdade e autonomia sindical (anos 1980), contrato coletivo e liberdade de organização (anos 1990), tentativas de rediscussão da tabela de categorias e novas categorias (anos 2000) e a lei de reconhecimento das centrais sindicais.
Sobre as questões do ramo financeiro, a secretária Magaly afirmou em sua apresentação que o tema será debatido em um seminário nos dias 13 e 14 de abril.
O segundo dia foi marcado pelo debate sobre a presença da inteligência artificial na prática jurídica e os limites tecnológicos e éticos de sua aplicação; sobre o futuro das negociações coletivas; as perspectivas do atual governo Lula e a experiência espanhola de reversão de pontos da reforma trabalhista feita no país.
Para o secretário de Assuntos Jurídicos da Contraf-CUT, Lourival Rodrigues da Silva, “as questões relativas à IA e à automação são determinantes para o ramo financeiro, pois a tecnologia digital e suas ferramentas interferem diretamente tanto na rotina de nossas atividades, como no perfil profissional de todo o setor. Por isso, os pontos aqui apresentados são de interesse para todos nós”.
O secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região, Hugo Diniz, que esteve presente no evento em São Paulo, considera muito importante essa reunião entre os sindicatos para que haja um amplo debate sobre assuntos que já são tratados constantemente, mas também para atualizar a categoria sobre os novos temas que vão surgindo. “Falar sobre inteligência artificial em um momento em que o assunto está no centro dos debates é fundamental para compreendermos as possíveis transformações, os possíveis impactos e as formas de se combater a perpetuação da desigualdade, também reproduzida pela IA”, afirmou.