Sindicalistas debatem impactos da digitalização no sistema financeiro sobre trabalhadores

Publicado em 22/05/2023 13:02

Dirigentes de sindicatos de trabalhadores do ramo financeiro da Argentina, Uruguai e Brasil participaram, nos dias 15 e 16 de maio, de um encontro promovido pela Uni Américas Finanças sobre os impactos da digitalização no sistema financeiro sobre a classe trabalhadora. O encontro aconteceu em Buenos Aires, na Argentina.

Na abertura do encontro, o vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Vinícius Assumpção, falou sobre a importância do debate internacional em torno dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do ramo financeiro. “Estamos observando um movimento acelerado, a partir da digitalização do sistema financeiro, de pulverização desses trabalhadores em diversas categorias, sem os direitos conquistados. Então, mais do que nunca, precisamos buscar, coletivamente, ações para combater os impactos negativos sobre o mercado de trabalho. Afinal, o que afeta os trabalhadores do setor no Brasil, também afeta na Argentina, Uruguai e demais países”, analisou. “A velocidade é grande nas transformações e o sistema age globalmente. Por isso, a importância de agirmos da mesma forma, globalmente”, completou.

Vinícius Assumpção, vice-presidente da Contraf-CUT

Durante os dois dias de encontro também foram realizadas palestras sobre o que foi discutido na primeira reunião tripartite na Organização Mundial do Trabalho (OIT) a respeito do impacto da digitalização do sistema financeiro; os desafios dos sindicatos na reestruturação financeira; e caminhos para lidar com a disrupção financeira.

Entre 2013 e 2023, só no Brasil, foram mais de 77 mil postos de trabalho cortados pelos bancos. Num período um pouco mais longo, entre 1994 e 2021, o peso da categoria bancária no emprego formal no ramo financeiro do país caiu de 80% para 44%. E entre 2019 e 2022 a sindicalização no ramo financeiro brasileiro sofreu queda de 45,5% para 19,5%.

Os expositores brasileiros destacaram que, no Brasil, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) criou um grupo de trabalho, partindo das Convenções Internacionais de Trabalho, para debater propostas de regulamentação dos serviços das plataformas e garantia de direitos aos trabalhadores. Também lembraram que o Ministério do Trabalho e Emprego do governo Lula criou um grupo de trabalho tripartite, com prazo máximo de 300 dias, para discutir o assunto.