Copom mantém Selic em 13,75% e trava desenvolvimento do país

Publicado em 23/06/2023 13:39

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), anunciou a manutenção da taxa básica de juros do país, a Selic, em 13,75% ao ano pela 7ª reunião seguida. A decisão já era prevista pelo mercado financeiro e pelo Relatório Focus, divulgado toda semana pelo próprio BC.

Há alguns meses as centrais sindicais e os movimentos populares vêm realizando uma série de manifestações nas ruas e nas redes sociais solicitando a redução dos juros e, desde a semana passada, realizam uma “Jornada de mobilização contra a política monetária do Banco Central”.

Durante a gestão Campos Neto, que assumiu a presidência da entidade em fevereiro de 2019, a taxa básica de juros passou de 2% (em janeiro de 2021) para 13,75% ao ano (setembro de 2022) – percentual mantido até o momento.

Neste mesmo período, a taxa média de juros para pessoa física no país foi de 39,4% para 59,7% ao ano, enquanto a taxa de juros média para pessoa jurídica sofreu elevação de 15,2% para 23,9% ao ano, considerando o crédito livre. Ou seja, com a Selic mais alta, as contas pagas por famílias e empresas também ficam mais elevadas.

Também entre 2021 e 2023 o endividamento das famílias aumentou significativamente. Em abril deste ano, a parcela das famílias brasileiras com dívidas (em atraso ou não) chegou a 78,3%, como mostra o estudo “Desempenho dos bancos 2022”, elaborado pelo Dieese. Dados do próprio Banco Central indicam que a utilização do cartão de crédito, cujas taxas de juros do rotativo estão acima dos 400% ao ano, estão entre os fatores responsáveis pelo aumento do endividamento.

“Famílias endividadas consomem menos. Pouco consumo reduz a produção, porque as empresas não estão vendendo. Se as empresas não estão vendendo e estão com estoques parados, elas demitem. Consequentemente a renda circulando cai e a economia não avança”, explicou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.