Publicado em 16/07/2023 15:34

Ocorreu no sábado (15), em Niterói, a 3ª Conferência Estadual das Bancárias e dos Bancários, com a participação de centrais sindicais e dos sindicatos ligados a Federa-RJ, de Campos, Petrópolis, Teresópolis, Niterói, Sul Fluminense e Rio de Janeiro.
A mesa de abertura fez uma análise de conjuntura e contou com a participação do deputado federal Reimont, da doutora em educação Greyce Kelly e do vereador de Niterói, Leonardo Giordano (PCdoB).
Greyce Kelly reforçou a importância da diversidade dentro dos sindicatos para o fortalecimento das lutas.
Reimont, deputado federal e também bancário do Banco do Brasil, pontuou a briga de forças dentro do Congresso Nacional, com a sede de poder do centrão e ainda reforçou a importância de manter a autonomia da Caixa Econômica Federal, que teve trabalhadores e trabalhadoras sofrendo assédio moral e sexual durante a gestão de Pedro Guimarães e agora quer ser tratada como moeda de troca pelo “centrão”.
Para finalizar a mesa, o vereador Leonardo Giordano falou que a grande batalha da sociedade hoje é pelo conhecimento da tecnologia. “Não somos contra a tecnologia, mas ela tem que estar a serviço do bem do povo e não substituindo mão de obra e retirando o emprego do trabalhador”. Leonardo ressaltou ainda que “os bancários são laboratórios desta substituição do trabalho humano por máquinas”.
Ainda durante a manhã, a conferência abordou o tema “Avanços tecnológicos, novas formas de trabalho e organização” com o economista Gustavo Cavarzan, do Dieese, e a socióloga Ana Cláudia Cardoso.
Ana Cláudia tocou em um ponto importante relembrando grandes empresas que se apresentam hoje como novos modelos de negócios, com apropriação das novas tecnologias e se utilizam dessas novas tecnologias para perpetuar modelos antigos e precários de trabalho. “Quem liga para o Uber para pedir tecnologia? A Uber vende prestação de serviço precarizado”, reforçou.
Já o economista do Dieese apresentou um estudo que mostra que o investimento dos bancos neste ano foi de mais de R$ 35 milhões e deve aumentar para mais de R$ 40 milhões. Todo esse volume de investimentos está voltado para a criação de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), absorção e análise de dado dos clientes, entre outras pesquisas.
Na parte da tarde a Conferência Estadual contou com a participação do sociólogo Clemente Ganz, que abordou o tema da Reforma Sindical. Clemente disse que é necessário colocar o movimento sindical em sintonia com as atuais transformações do mundo e do trabalho.
O presidente do Sindicato de Campos, Rafanele, ressaltou que antes de encaminhar a proposta ao Congresso, é importante ampliar o debate deste projeto nas bases dos sindicatos.
Em um debate sobre luta, democracia e transformação, a comunicação não poderia ficar de fora da pauta. Os jornalistas Paulo Salvador e Rosângela Fernandes destacaram a importância das novas tecnologias serem absorvidas pelo movimento sindical e da necessidade de fortalecer uma comunicação comprometida com a classe trabalhadora.
“Os grupos de comunicação do Brasil são liberais, defendem os interesses dos empresários. A TVT tem um projeto político e um lado político definido: o da população. Por isso, é fundamental que as entidades se unam e fortaleçam esse tipo de iniciativa”, afirmou Paulo Salvador, que é também diretor da Rede TVT, a TV dos Trabalhadores.
Já no final do dia, sindicalistas representantes de diversas forças falaram sobre os desafios das organizações dos trabalhadores. As propostas foram aprovadas e também houve a escolha dos delegados escolhidos para a Conferência Nacional.
O presidente do Sindicato de Campos, Rafanele Alves Pereira, disse que esse ano é muito importante para reconstrução da categoria. “O governo anterior massacrou a classe trabalhadora, tirou direitos e adoeceu ainda mais a categoria bancária. Nossa caminhada é de muita luta para reverter isso”, finalizou.
Pra fechar, os representantes dos sindicatos filiados a Federa-RJ presentes apresentaram uma moção de repúdio ao banco Santander, pela tentativa de criminalização do presidente do Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e toda a categoria, que no momento se vê impedida de exercer atividades sindicais nas agências do município. O documento repudia o interesse do Santander em cercear a atividade sindical e apoia o trabalho do sindicato na defesa dos trabalhadores. A moção foi aprovada por unanimidade.


































