Sindicato realiza palestra sobre violência contra a mulher

Publicado em 28/07/2023 12:17

Diante da necessidade de se debater pautas relevantes para toda a sociedade, como por exemplo, o machismo, o Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região realizou na noite de quinta-feira (27), uma palestra para abordar o tema da violência contra a mulher.

A ideia surgiu após o curso de Formação em Lideranças Femininas, organizado pela Federa-RJ em maio deste ano, e faz parte de um cronograma de atividades voltadas ao incentivo do empoderamento feminino.

O evento, que foi aberto para o público em geral, contou com uma palestra da advogada criminalista Julia Alexim, que atua no projeto “Basta! Não irão nos calar” e com a presença da presidente da Federa-RJ, Adriana Nalesso.

O presidente do Sindicato, Rafanele Alves Pereira, ressaltou que, na nossa região, quase todos os dias há casos de violência contra a mulher e que ele atravessa diferentes classes sociais. “Em Campos, a violência contra a mulher é constante. Quase todos os dias temos notícias de mulheres mortas e isso ocorre em todas as classes. É uma palestra importantíssima para todos nós”, finalizou.

A vice-presidenta, Nilce Joia, disse que o sindicato se sente muito orgulhoso de colaborar com esse debate. “É um tema delicado, mas de grande importância não só para as mulheres, mas para toda a sociedade. A gente sabe o desafio que a categoria enfrenta no ambiente de trabalho e além disso, ainda existem mulheres que sofrem dentro de suas casas”. Nilce ainda ressaltou o esforço das diretoras na organização do evento. “Agradeço minhas companheiras de luta que se empenharam na organização deste evento. Precisamos aprender muito para saber como orientar”, completou.

Adriana Nalesso, presidenta da Federa-RJ, disse que se orgulha de fazer parte de um movimento sindical que conquista avanços e lembrou das conquistas da categoria bancária na última negociação. “Nós conquistamos na nossa convenção coletiva, uma cláusula que garante à bancária o atendimento, o acolhimento, uma transferência, uma linha de crédito diferenciada em caso de violência. Isso é muito importante, pois é colaborar na retirada desta mulher, do ciclo de violência”.

Adriana ainda falou sobre o projeto “Basta! Não irão nos calar” e demonstrou interesse de que ele seja implementado em outros sindicatos da base da Federa-RJ. “A gente tem este projeto já em alguns sindicatos e na base da Federa-RJ ele existe no município do Rio de Janeiro. A ideia é avançar para outros sindicatos”. Pra finalizar sua fala, a presidenta da Federa-RJ ressaltou a importância da sala estar composta também por homens. “É muito importante vocês estarem aqui, pois este é um processo de construção e diálogo da sociedade”, finalizou.

Ao longo da apresentação, a advogada e palestrante Julia Alexim abordou o feminismo e suas consequências, como por exemplo, as mudanças no mercado de trabalho, as mudanças na vida doméstica e na forma de se cuidar das crianças, que hoje é mais compartilhada com os homens.

A advogada ainda explicou conceitualmente as diferentes formas de violências (física, psicológica, patrimonial, moral e sexual) e as transformações que surgiram a partir da lei Maria da Penha. “A lei é resultado de luta e de condenações. Ela não é um presente, mas sim uma vitória contra o patriarcado. A lei reconhece que ser mulher torna as mulheres vulneráveis”.

A advogada ainda apresentou alguns números que mostram, por exemplo, que 33,4% (21,5 milhões) das mulheres com 16 anos ou mais já sofreram violência física e/ou sexual por parte do parceiro íntimo ou do ex. Este número é maior do que a média global, que está em 27%, segundo dados da OMS.

Outro número assustador é com relação às denúncias. 45% das mulheres relatam que não tomaram nenhuma atitude após a violência e 14,4% dessas mulheres achavam que não tinham provas suficientes. Diante disto, a advogada reforçou que nos casos de violência contra a mulher, o próprio depoimento da mulher, juridicamente, já é uma prova e que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) tem inúmeras decisões favoráveis às mulheres, com provas apenas em depoimentos.

Ao final da palestra os participantes puderam fazer perguntas, tirar dúvidas e trocar informações que podem colaborar, não apenas com o debate, mas com o processo de construção de uma sociedade comprometida com a erradicação da violência contra a mulher.