Sérgio Nobre: queda do desemprego seria ainda maior se juros estivessem mais baixos

Publicado em 01/08/2023 10:28

O Brasil apresenta sinais de melhora econômica com queda no índice de desemprego de 8,3% para 8%; com o aumento de mais de 1 milhão de vagas formais de trabalho abertas; a estabilidade da renda do trabalhador e com as reajustes salariais acima da inflação, segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Apesar dessa melhora, o país ainda tem de conviver com o arrocho econômico provocado pelo Banco Central (BC) que mantém a taxa de juros, a Selic, em 13,75%, a maior do mundo com juro real de 10%, já que a inflação está em torno de 3%.

Ao ignorar os sinais positivos da economia com a queda da inflação, para privilegiar o rentismo e os que têm fortunas aplicadas em bancos, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, rema contra o crescimento do país, analisam economistas, sindicalistas e até mesmo empresários que não conseguem expandir seus negócios e abrir novas vagas de emprego por culpa do crédito caro.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre é ferrenho crítico da atual política de juros do Banco Central. “O país já não aguenta mais a taxa elevada de juros. Todos perdem, o governo que tem de pagar R$ 38 bilhões a cada 1% que o BC cobra de juros, dinheiro que poderia ir para a saúde, a educação. Perdem os empresários por não ter crédito para investir e gerar empregos, e perdem especialmente as famílias brasileiras por estarem cada vez mais endividadas com cartão de crédito, juros de cheque especial e prestações”, diz.

O presidente nacional da CUT ressalta, no entanto, que a queda no índice do desemprego e os reajustes salariais acima da inflação são lutas vitoriosas do movimento sindical brasileiro, a partir da eleição de um governo democrático e progressista, que respeita e prioriza a classe trabalhadora e seus representantes legítimos.

Sérgio Nobre ainda avalia que a previsão de baixar os juros em 0,25%, segundo analistas econômicos, ainda é pouco para o país se reerguer economicamente com maior rapidez. O Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, responsável por definir os juros, se reúne nos dias 1 e 2 de agosto, para apresentar nova proposta ou manter a atual taxa.

Aumento do emprego com carteira assinada

Outro dado positivo em relação ao emprego é do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número de vagas formais, com carteira assinada chegaram a 1 milhão, 23 mil e 540, nos seis primeiros meses deste ano. Embora o saldo tenha sido positivo, o número é 26% menor que o registrado no 1º semestre do ano passado, que chegou a 1 milhão, 388 mil e 10.

Somente no mês de junho deste ano o saldo positivo foi de 157.198 mil empregos, resultado de 1.914.130 admissões e de 1.756.932 desligamentos.

Fonte: CUT