BC corta juros para 13,25% pela primeira vez em 3 anos

Publicado em 03/08/2023 12:01

Como já era previsto, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), anunciou nesta quarta-feira (2) a redução da taxa de juros básica da economia brasileira (Selic), que passa de 13,75% para 13,25%. A redução do índice acontece pela primeira vez em três anos, o que resultou no aumento da pressão, em especial nos últimos meses, por parte de diversos setores da sociedade civil contra os juros altos praticados no país.

Um dia antes do início da reunião do Copom, que começou na terça-feira (1), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com representantes do banco, o que foi traduzido como uma pressão sobre a entidade no sentido de reduzir a Selic. As centrais sindicais e movimentos populares também reforçaram as manifestações contra os juros altos, com ações nas redes sociais e protestos por todo o Brasil, principalmente em frente às sedes do Banco Central, nas capitais do país.

“Essa redução anunciada pelo BC hoje, poderia ser maior, mas é melhor do que o mercado financeiro queria, que era 0,25%. No último ano, o Banco Central manteve a Selic no patamar de 13,75%. Com isso, a entidade praticou o maior choque de juros, em 20 anos, limitando a atividade econômica do país”, destacou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.

“Por que o corte na Selic favorece o crescimento da economia? Porque os juros definidos pelo Banco Central são repassados para os clientes de todo o sistema financeiro. Então, com a Selic alta, fica mais alto o custo do crédito para as pessoas e para as empresas, significa pagar mais caro pela casa própria, pelo carro. Logo, o inverso também acontece: a Selic mais baixa dinamiza a economia e melhora a vida da população e do setor produtivo, com mais recurso para gastar e investir”, completou Juvandia.

A Selic elevada também aumenta o custo do governo com o pagamento de juros dos títulos públicos, grande parte com vencimentos vinculados à taxa básica de juros, como explica o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Gustavo Cavarzan. “Com a Selic em 13,75% como esteve até agora, considerando o estoque da dívida do setor público no patamar de cerca de R$ 6 trilhões, e que cerca de 64,5% desse estoque têm a Selic como indexador, cada ponto percentual significa um aumento de custo da dívida anual de cerca de R$ 38 bilhões. Logo, a decisão do Copom hoje libera o orçamento da União em cerca de R$ 19 bilhões”, pontuou.

Em nota sobre a decisão do Copom, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) avaliou como insuficiente a redução da Selic, “mantida em patamares superiores a 13% desde agosto de 2022”.