Publicado em 07/08/2023 11:59

A segunda mesa da manhã de sábado (5) realizou o debate sobre a regulamentação das plataformas digitais e inteligência artificial. Os convidados para abordar o tema foram o deputado federal Orlando Silva (PCdoB), relator do projeto de lei de combate às fake news e o biólogo Átila Iamarino, doutor em microbiologia e pesquisador brasileiro, que ficou notório por seu trabalho de divulgação científica no canal Nerdologia, do Youtube.
Para o deputado, não é tão simples falar sobre temas relativos ao direito digital e a regulamentação de plataforma digital, pois são temas muito específicos e até muito técnicos. “Porém, é um tema em debate no mundo, não só no Brasil. O presidente Lula já falou diversas vezes sobre a necessidade de cooperação internacional do campo da regulação das plataformas digitais, pois hoje, o modo como é feita a coleta e tratamento de dados, e na escala que é feita, não só não protege nenhum usuário como coloca em risco a soberania do país”.
Isso se dá por pouquíssimas e poderosas empresas deterem os dados de boa parte da sociedade, podendo utilizar esses dados para mover e encaminhar temas de acordo com seus interesses. “As pessoas, ao baixarem um aplicativo e aceitarem os termos de uso – muitas vezes sem ler – autorizam a coleta de dados, o tratamento dos dados e o mais grave, o compartilhamento de dados. Esse é um ponto dentro da regulamentação das plataformas digitais”.
Iamarino, cujo trabalho como divulgador científico teve grande impacto no esclarecimento da população e no combate à desinformação durante a pandemia de covid-19 no Brasil, concorda com a necessidade de regularização. “Ter uma lei que regula as tecnologias é construir uma barragem, porque a água está subindo e o que vem pela frente é um dilúvio”.
Sobre o avanço da inteligência artificial, o pesquisador aponta que hoje, ela começa a relacionar as coisas melhor do que o ser humano. “Não necessariamente melhor em qualidade, mas muito melhor em quantidade e em velocidade. A disputa do futuro é exatamente essa, o quanto a gente vai aceitar o medíocre rápido, ao invés do mais demorado com qualidade”.
Para ele, o que não mudou na IA desde o começo é a continuidade de fruto de mão de obra barata, conteúdo autoral sendo plagiado, privacidade sendo violada, dados enviesados que geram sistemas enviesados, opacidade do sistema e propriedade emergentes.
“Temos que ter menos foco na inteligência artificial e mais foco nos seres humanos que estão decidindo isso”, finalizou.