Publicado em 07/08/2023 11:12

Na abertura dos trabalhos da 25ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro deste sábado (5), a primeira mesa tratou dos temas “Democracia” e “Conjunturas internacional e nacional”, apresentados, respectivamente, pela professora de Ciências Sociais Tathiana Chicarino e pelo professor de Política Internacional Moisés Marques.
A professora Tathiana Chicarino concentrou sua participação em uma ampla discussão sobre o conceito de democracia pela perspectiva histórica. Para ela, “o sistema democrático é elemento permanente sobre como se vive em sociedade, histórica e geograficamente localizado no mundo urbano e industrializado, em que o trabalhador tem papel fundamental”.
Sua base é a organização política, com a distribuição de poder pela representação a partir da cultura política, orientada pela organização do poder. O modelo mais adotado segue os parâmetros de “democracia representativa” teorizado por Bernard Manin, que é baseado em partidos e na escolha da liderança do exercício do poder por meio de sufrágios populares (eleições), que supostamente devem refletir as segmentações de classe. Porém, “ainda que tenhamos uma democracia formal desde a Constituição de 1989, será que no Brasil a possuímos na prática?”, questionou ela.
O professor Moisés Marques abriu sua participação tratando do cenário atual político internacional, no momento que se busca entender a interferência da guerra entre Rússia e Ucrânia no abastecimento internacional de grãos, que pode iniciar uma crise alimentar global.
No atual cenário global, os “países não desenvolvidos” têm de lutar para, como ele elencou, “alcançar certa capacidade de adaptação rápida a circunstâncias imprevisíveis; lidar com a relevância que ganharam temas como comércio internacional, mudanças climáticas e novas tecnologias; e enfrentar o rescaldo da pandemia; além das dificuldades para estabelecer uma ordem internacional mais igualitária”.
Marques lembrou que, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma extensa lista de ações está sendo articulada em busca do equilíbrio da situação no país como reforma tributária, ampliação da participação popular, retirada de empresas do processo de desestatização, elevação do salário-mínimo e da faixa de isenção do IR, questões ambientais, incentivo à indústria, etc.
No campo das relações internacionais, Marques observou que nos primeiros meses de mandato, Lula passou mais de 30 dias no exterior porque o Brasil precisa se concentrar no “resgate da credibilidade” e no trabalho de “construção e reconstrução de pontes”.