Bolsonaro teve encontro secreto com Campos Neto, antes de reunião do Copom

Publicado em 14/08/2023 14:34

Duas horas antes de o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar a reunião de 4 de maio de 2022, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, teve uma agenda secreta com o então presidente Jair Bolsonaro, no gabinete presidencial. À época, Bolsonaro estava em pré-campanha eleitoral e o controle de inflação a todo custo era um de seus objetivos.

Naquele mesmo dia, após a reunião do Copom, o BC elevou a Selic em um ponto percentual. A taxa subiu de 11,75% para 12,75% – o maior patamar em cinco anos – alegando que havia um “balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação”.

O Banco Central, desde 2021, por uma lei sancionada pelo próprio ex-presidente, se tornou uma instituição autônoma, cujas decisões, inclusive sobre a política de juros, não têm interferência do governo federal.

As informações sobre o encontro foram obtidas pelo jornalista Guilherme Amado, do Metrópoles, e mostram que a reunião apareceu em um e-mail com o título “Agenda Confidencial do PR: 04/5/2022”, ao qual está anexado o documento “04_5_2022 Confidencial”.

A reunião, tecnicamente, não poderia ter ocorrido por causa de uma regra chamada de “período de silêncio”, que determina que os membros do Copom não podem “emitir declaração sobre assuntos do Copom em discursos, entrevistas à imprensa e encontros com pessoas que possam ter interesse nas decisões do Copom, incluindo regulados, economistas, investidores, analistas de mercado e empresários”.

Vale ressaltar que o atual presidente do BC é apoiador declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro.