Publicado em 15/08/2023 13:12

Uma das maiores mobilizações de mulheres do país volta à Brasília nesta terça (15) e quarta (16). É a 7ª Marcha das Margaridas que completará 23 anos desde a primeira edição que ocupou a capital federal, para lutar contra a pobreza e a violência sexista.
Enquanto em 2000, ainda durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), a pauta se baseava em três eixos, valorização da participação da mulher na reforma agrária e na agricultura familiar, a garantia e ampliação dos direitos trabalhistas e sociais e o combate à violência e impunidade no campo e a todas as formas de discriminação social e de gênero, em 2023, a lista de reivindicações é bem mais extensa.
A manifestação deste ano conta com 13 eixos políticos:
>Democracia participativa e soberania popular;
>Poder e participação política das mulheres;
>Autodeterminação dos povos, com soberania alimentar, hídrica e energética;
>Democratização do acesso à terra e garantia dos direitos territoriais e dos maretórios;
>Vida saudável com agroecologia e segurança alimentar e nutricional;
>Direito de acesso e uso da biodiversidade, defesa dos bens comuns e proteção da natureza com justiça ambiental e climática;
>Autonomia econômica, inclusão produtiva, trabalho e renda;
>Educação pública não sexista e antirracista e direito à educação do e no campo;
>Saúde, previdência e assistência social pública, universal e solidária;
>Universalização do acesso à internet e inclusão digital;
>Vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo;
>Autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade.
O norte das margaridas é a reconstrução do Brasil após seis anos de resistência em que as políticas públicas e os direitos da população mais vulnerável foram atacados desde o governo de Michel Temer até a eleição do ex-presidente, Jair Bolsonaro.
A marcha deste ano também defende a ideia de bem viver, um conceito que está associado à experiência de vida coletiva expressa por meio da solidariedade, do compartilhamento e do direito à existência para todas, inclusive das mulheres negras, trabalhadoras, do campo, da floresta e das águas, as mais afetadas pela devastação e mercantilização da natureza e da biodiversidade a partir da atuação devastadora e transnacionais da mineração e do agronegócio.
Além da marca, o encontro de mulheres na capital federal ainda apresentará uma extensa programação que inclui instalação, debates, giras de conversa, oficinas, painéis e espaços fixos dedicados a ações como troca de sementes.
Haverá também um ponto de coleta da campanha de arrecadação de alimentos não-perecíveis e de roupas em bom estado, principalmente de agasalhos, para doação a entidades que atendem pessoas carentes de Brasília.
Fonte: Contraf-CUT