Com 62 anos de banco e 87 de idade, o líder sindical Joaquim Sanguedo relembra sua história

Publicado em 30/08/2023 18:17

O bancário e diretor sindical, Joaquim Gomes Sanguedo, oficializou neste mês de agosto seu desligamento com o banco Bradesco, após 62 anos dedicados ao trabalho bancário. Joaquim relata que nos anos em que não estava à disposição do sindicato, sempre retornou ao trabalho presencial dentro das agências.

Sanguedo, como é conhecido, iniciou sua carreira bancária no ano de 1961, aos 25 anos de idade no antigo Banco Comercial e Hipotecário de Campos e, segundo ele, no mês seguinte já estava ligado ao sindicato, como associado. Desde então, nunca mais saiu nem do banco e nem do movimento sindical.

Ele lembra de uma greve histórica, no ano de 1965, durante o regime militar, em que os bancários cruzaram os braços mesmo com toda a opressão e conseguiram conquistar o reajuste do piso da categoria, antes da entidade ser tomada por um interventor que destituiu toda a diretoria. Apesar das dificuldades e ameaças, Sanguedo lembra que o sindicato se manteve atuante durante todo o período do regime militar. Foi neste ano de 1965 que ele se tornou um dirigente sindical.

Nesta época, o Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região ainda era uma entidade jovem, que funcionava em um prédio compartilhado com o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários (IAPB), onde hoje funciona o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Sanguedo conta que, com o início do período da ditadura, o sindicato foi expulso do local em que funcionava e passou por grandes dificuldades, funcionando no terreno onde hoje se encontra a Sede Social, mas sem nenhuma estrutura.

O bancário fez parte, inclusive, de toda a construção do prédio onde hoje funciona a Sede Social da entidade. Ele lembra que a categoria colaborou não apenas com dinheiro, mas com mobiliário para que a estrutura fosse montada. “Fizemos o esqueleto, mas não terminamos a obra. Funcionamos durante um tempo num barracão, onde se guardava o material de obra. Não havia nem banheiro. Comecei a pedir aos bancários doação de mobiliário para montar a sede. Um deu um sofá, outro geladeira, outro cadeira”, relembrou.

Joaquim Gomes Sanguedo foi presidente do Sindicato dos Bancários de Campos por três gestões, de 1975 a 1978, de 1987 a 1990 (nessa época os mandatos eram de três anos) e por último, já com um mandato de quatro anos, de 1993 a 1997. Ele relembra dos tensos períodos de eleição, sempre disputando com chapa de oposição. Foi no seu segundo mandato que foi implementado o consultório odontológico que funciona até hoje na Sede Social. Já no terceiro e último mandato, ele lembra que a Sede Social já tinha uma estrutura melhor e a bola da vez foi a regularização do terreno, construção da piscina e inauguração da Sede Campestre.

Sanguedo falou de sua paixão pelas greves e relembrou que os movimentos eram ajustados por telefone, telex e fax. O avanço da tecnologia mudou não apenas a forma de nos comunicarmos, mas também a estrutura de funcionamento dos bancos, que impacta hoje o mundo do trabalho e as negociações. “Fizemos muita passeata, muita greve, parávamos o trânsito da cidade. Todas tinham uma adesão grande e nós tínhamos resultado positivo”. Questionado sobre o novo cenário de novas tecnologias, Sanguedo reconhece que os dias atuais estão mais difíceis, porém, ressalta a importância da “união da categoria”.

Após 62 anos de dedicação ao trabalho bancário e uma história de mais de meio século de luta no movimento sindical, Joaquim Sanguedo se diz realizado. “Me considero realizado. Fiz tudo o que podia nas minhas gestões e a diretoria sempre me apoiou.”

O Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região agradece pelos anos dedicados ao movimento sindical. A história de vida de Joaquim Gomes Sanguedo se entrelaça com a trajetória do sindicato e serve de inspiração para uma categoria que é exemplo de luta para todas as trabalhadoras e trabalhadores deste país.

Terreno da Sede Social
Posse da Diretoria em 1978
Mobilização – Leitura de Manifesto em agência bancária, 1981
Diretoria eleita – 1987
Campanha Salarial de 1987 – Joaquim Gomes Sanguedo, de pé.