Sindicato paralisa agência do Itaú contra demissões

Publicado em 13/09/2023 17:29

O Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região paralisou, nesta quarta-feira (13), a agência do banco Itaú localizada na Pelinca, em um ato de protesto contra uma demissão efetuada na tarde desta segunda (12). O bancário demitido sem justa causa trabalhava no banco há 34 anos.

A abertura da agência foi retardada como forma de repúdio à demissão, mas também para combater a postura de assédio moral do banco com suas trabalhadoras e trabalhadores. Desde que um novo regional assumiu, bancárias e bancários vivem a era do medo, da pressão e do adoecimento.

Para o diretor e secretário-geral Ricardo Azeredo, “o mesmo banco que patrocina o futebol, pisa na bola com seus trabalhadores”.

O presidente do sindicato, Rafanele Alves Pereira, disse que o banco apesar dos lucros, desrespeita e descarta seus funcionários, mas que o sindicato seguirá lutando na Justiça. “Nosso sindicato é forte e atuante. Temos reintegrado diversos bancários e com certeza vamos reintegrar mais um. É inadmissível um banco que não para de lucrar, tratar seus funcionários dessa forma. Sobra dinheiro para publicidade, falta para investimentos e continuam as demissões”, disse.

O secretário de Assuntos Jurídicos, Hugo Diniz, lembrou que o novo regional do banco havia agendado um encontro com o sindicato, mas o mesmo desmarcou a reunião. “Ele ontem tinha uma reunião no sindicato, mas cancelou. Provavelmente cancelou pois já sabia que haveria mais uma demissão na agência. Foi uma atitude covarde”, completou.

Se por um lado, bancárias e bancários estão insatisfeitos com a gestão do terror adotada pelo banco, do outro, clientes estão infelizes com a postura das instituições privados de restringir cada vez mais o acesso ao interior das agências. A cliente do Itaú, Josenita, parabenizou o ato e relatou que é cliente há muitos anos e tem cada vez mais dificuldade em ser atendida dentro das agências. “Tive que enfrentar uma fila enorme lá dentro. Só tinha uma pessoa para atender todo mundo do Uniclass, um verdadeiro absurdo”, declarou.

A redução do quadro de funcionários nas agências através da onda de demissões prejudica clientes e funcionários. Enquanto os clientes enfrentam dificuldades de atendimento pelo baixo número de funcionários, trabalhadores ficam sobrecarregados com o acúmulo de tarefas.

O presidente do Sindipetro NF, Tezeu Bezerra, passou pelo local e disse ser importante todo o movimento sindical prestar solidariedade. “Assim como em outros lugares, um trabalhador não vale nada para as empresas, nem para os bancos, que tem a coragem de demitir um trabalhador que adoeceu e contribuiu, como me informaram os companheiros, para que os bancos tivessem os lucros que tiveram. É uma vergonha a demissão de um trabalhador que foi adoecido a partir do seu trabalho”, concluiu. Também esteve presente representando os petroleiros, o diretor do Sindipetro NF, Luiz Carlos Mendonça (Meio quilo).

Vale ressaltar que o banco Itaú obteve lucro de R$17,1 bilhões no primeiro semestre deste ano, alta de 14,2% em relação ao mesmo período em 2022.

Falta de água

Já a agência do banco Itaú de Goytacazes está fechada nesta quarta-feira (13) por falta de água. A agência estava funcionando desde a sexta-feira (8) mesmo sem um recurso tão indispensável como a água, fazendo com que clientes e funcionários tivessem que buscar, por conta própria, banheiros na vizinhança para utilizar.

Que vergonha, Itaú!