Bancários denunciam irregularidades em exames periódicos e de retorno ao trabalho

Publicado em 25/09/2023 10:33

Bancárias e bancários têm procurado o Sindicato para denunciar irregularidades praticadas por clínicas escolhidas para a realização de exames periódicos, demissionais e também de retorno ao trabalho.

De acordo com relatos, a entrega do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) tem sido negada ao trabalhador ao final do exame. Porém, de acordo com a Norma Regulamentadora n.º 7 (NR-7) do Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional:

“Para cada exame médico realizado, o médico deverá emitir o Atestado de Saúde Ocupacional – ASO em duas vias:

>A primeira via do ASO ficará arquivada no local de trabalho do trabalhador, inclusive frente de trabalho ou carteira de obras, à disposição da fiscalização do trabalho;

>A segunda via do ASO será obrigatoriamente entregue ao trabalhador, mediante recibo na primeira via.”

Consta ainda que, o atestado deve ser entregue em formato físico, sempre que solicitado.

Em outro relato, uma bancária disse ter sido atendida por um homem, mas quem assinou o documento final foi uma mulher, o que demonstra que a clínica permite que a pessoa com CRM assine os laudos sem ter realizado ela mesma os exames.

Outro tipo de denúncia recorrente é a não avaliação do histórico de exames do trabalhador. Esta, por sua vez, é mais grave, uma vez que quando questionada, a clínica informa que, “entrará em contato com o banco para verificar”.

Ocorre que, as clínicas e os médicos devem realizar suas avaliações de maneira independente, com foco na saúde do trabalhador e não se submetendo à pressão das instituições financeiras.

O exame periódico é exigido por lei, bem como o admissional, o demissional e o de retorno ao trabalho. Portanto, sua principal função é proteger a saúde dos trabalhadores. Além disso, o exame periódico atende a vários fatores dentro da empresa, como indicar mudanças nas funções de empregados com doenças ocupacionais; avaliar a capacidade dos funcionários de desempenhar funções ou tarefas; e promover a saúde dos trabalhadores, por exemplo.

O objetivo, portanto, é proteger e preservar a saúde dos empregados em relação aos riscos ocupacionais. Porém, esta proteção fica sob desconfiança, uma vez que uma parte das clínicas escolhidas para a realização dos exames não cumpre as normas já estabelecidas.

Para o presidente do sindicato, Rafanele Alves Pereira, os bancos sabem que a categoria está adoecida. “Os bancos estão cientes de que seus funcionários trabalham adoecidos, fisicamente e mentalmente, entrando nas agências à base de remédios e, para mascarar as doenças dos empregados, pressionam as clínicas. Os médicos devem estar atentos ao seu papel pois vamos denunciar todas as irregularidades ao Conselho Regional de Medicina (CRM)”, disse.

O Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região acolheu as denúncias dos trabalhadores e trabalhadoras e está em contato com o jurídico para acompanhamento.

Identificou alguma irregularidade no seu exame? Entre em contato com o Sindicato e denuncie!