Publicado em 27/10/2023 11:44

As condições de trabalho insalubres nos bancos e os altos índices de adoecimento da categoria bancária foram o tema de audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, nesta quinta-feira (26). O debate foi pedido pela Contraf-CUT à senadora Augusta Brito (PT/CE).
Para a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, “é importante debater nessa casa legislativa a situação da saúde do trabalhador e da trabalhadora, mesmo que olhando para o aspecto de uma categoria. Um debate que nos faça ver o todo e refletir sobre soluções, políticas públicas e avanços na legislação, nas próprias relações de trabalho e nas negociações coletivas”, completou.
A procuradora do Trabalho Cirlene Luiza Zimmermann, representante da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), do Ministério Público do Trabalho (MPT), disse que “a saúde dos trabalhadores dessa categoria é algo que nos tem preocupado muito, especialmente num cenário em que o setor é ainda caracterizado com um grau de risco 1, mesmo sendo o oitavo setor com o maior número de afastamento acidentário do INSS”. Cirlene revelou que os dados do adoecimento do setor estão fortemente retratados pelo Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho, que traz informações que podem subsidiar políticas públicas em todo o Brasil.
Fenaban nega ligação entre pressão por metas e adoecimento bancário
Durante a audiência, o diretor de Relações Institucionais Trabalhistas e Sindicais da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Adauto Duarte, causou indignação nos dirigentes sindicais bancários ao tentar negar a ligação entre a cobrança por metas e o aumento do número de bancárias e bancários com doenças psíquicas.
A presidenta da Contraf-CUT fez uma exposição e disse que um dos grandes problemas é que os bancos não reconhecem o adoecimento mental. “Na categoria bancária tem aumentado o número de pessoas com depressão, síndrome do pânico, síndrome de burnout. Há vários casos de internação por crise nervosa. São pessoas que estão sofrendo com a cobrança do cumprimento de metas e sobrecarga de trabalho”, afirmou.
Juvandia lembrou ainda que até 2012 o maior causador de adoecimento eram as lesões por esforço repetitivo que hoje, foi ultrapassado pelo adoecimento mental e comportamental.
Fonte: com informações da Contraf-CUT e do Seeb/RJ