Campanha por juros baixos segue, com protestos nesta terça (12)

Publicado em 11/12/2023 14:40

Trabalhadores e trabalhadoras voltam a se reunir nesta terça-feira (12), data do início da última reunião do ano do Comitê de Políticas Monetárias (Copom) do Banco Central (BC), para definir mudanças na taxa básica de juros da economia brasileira (Selic).

“Nossa campanha é por emprego e renda, porque a Selic elevadíssima reflete nas taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras no crédito, o que prejudica o investimento produtivo, atrapalha a economia e encarece a vida de todos nós. Além disso, aumenta a dívida do Estado brasileiro com o pagamento de juros dos títulos da dívida pública”, explica a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.

O movimento #JurosBaixosJá começou em fevereiro. Na época a Selic estava sendo mantida em 13,75%, desde agosto de 2022 e seguiu nesse patamar até agosto desse ano.

A prática, pelo Banco Central, de uma política monetária contracionista (que promove desaceleração do PIB e do consumo), até agosto passado, também levou a entidade a sofrer pressões de setores da indústria e do governo federal.

Diante da pressão, que levou até mesmo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a comparecer em audiência no Senado para justificar a manutenção da Selic em 13,75%, finalmente, em agosto deste ano, o Copom deu início a um ciclo de redução de taxa básica de juros de 0,50% a cada rodada do encontro, que ocorre a cada dois meses.

Na última reunião do comitê, realizada nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, a Selic alcançou o patamar de 12,25%, o menor nível desde março de 2022 mas, ainda assim, capaz de impedir que a economia do país acelere mais rápido.

Taxa ideal

Economistas de tendência desenvolvimentista avaliam que uma taxa básica de juros razoável deveria estar no patamar de, pelo menos, um dígito. A título de comparação, os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne 38 países de economias avançadas) trabalham com juros básicos muito mais baixos que o brasileiro. Na União Europeia, por exemplo, o índice está em 4%. Entretanto, o Brasil não poderia reduzir a Selic para esse nível por ter moeda menos valorizada.

Manifestações

As concentrações dos atos do dia 12 vão ocorrer em frente aos prédios do Banco Central.