Publicado em 28/02/2024 12:44

O dia 28 de fevereiro foi escolhido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como o Dia Mundial de Combate às Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort).
A data chama a atenção para doenças que têm relação direta com o trabalho e que atingem milhões de brasileiros.
No Brasil, a partir de meados dos anos 1980, o problema começa a ser discutido principalmente pelos trabalhadores em processamentos de dados, tendo sido reconhecido como doença do trabalho pelo Ministério da Previdência Social após grande mobilização dos sindicatos em todo o país.
Percebeu-se com o tempo, porém, que essas patologias não atingiam somente pessoas que trabalhavam exclusivamente em atividades com computadores, mas que todos os segmentos de trabalhadores e trabalhadoras estavam expostos a esse tipo de risco. Bancários, metalúrgicos, costureiros, trabalhadores em frigoríficos, químicos, entre outros.
Entre 2012 e 2016, 89% de todos os acidentes, reconhecidos pelo INSS para bancários e financiários eram transtornos e LER/Dort, sendo que 45% eram LER/Dort, 44% eram transtornos mentais e 11% outros acidentes. Entre 2017 e 2021, 90% dos acidentes reconhecidos foram também de LER/Dort e transtornos mentais – 46% LER/Dort, 44% transtornos mentais e 10% outros acidentes.
Dos afastamentos não reconhecidos como acidentes, ou seja, os benefícios comuns, entre 2012 e 2016, as LER/Dort e os transtornos mentais somavam 47% do total. Entre 2017 e 2021 esse número subiu para 55%.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o problema como uma questão de saúde pública, pois mesmo depois do tratamento, muitas bancárias e bancários voltam a apresentar os sintomas após regressarem ao trabalho.
Além dos exercícios de prevenção, trabalhadoras e trabalhadores precisam se manter vigilantes, denunciando aos sindicatos as condições inadequadas e as pressões por produtividade. Além dos cuidados individuais, é necessário manter um ambiente de trabalho de qualidade.