Sindicato de Campos recebe Atividade de Formação da Federa-RJ

Publicado em 28/02/2024 14:11

Com o objetivo de compreender melhor o atual cenário de transformações que ocorrem rapidamente no setor financeiro e o impacto que essas mudanças trazem para a categoria, a Federa-RJ realizou nesta terça-feira (27), na sede social do Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes, uma atividade de formação para dialogar com diretoras e diretores sobre as mudanças tecnológicas, políticas, econômicas e as legislações trabalhistas.

Carlos Arthur Newlands, diretor do ramo financeiro da Federa-RJ, abriu o evento falando sobre a importância de todos estarem com pleno conhecimento das dificuldades para que seja possível enfrentar a realidade. “A categoria bancária está diminuindo, mas a categoria do ramo financeiro está aumentando. São mais trabalhadores, mas com menos direitos e mais exploração”, pontuou.

Luiz Otávio, diretor de formação da Federa-RJ, lembrou que a federação está trabalhando em todos os sindicatos de sua base para que a ampliação do diálogo traga novas ideias. “As transformações estão muito rápidas e o que está sendo dito aqui não é só o futuro, mas já está acontecendo na vida de todos nós. Precisamos de um plano de ação não apenas para absorver conhecimento, mas para agir”, completou.

Luiz Otávio, diretor de formação da Federa-RJ

A economista e técnica do Dieese Milena Alves, falou das mudanças legislativas e regulatórias que têm alterado a situação do ramo financeiro e apresentou números que refletem a situação do setor na base do Sindicato de Campos.

Sobre o emprego formal no ramo financeiro entre os anos de 2012 e 2021, percebeu-se que ao longo desses quase 10 anos, a categoria bancária da base de Campos teve uma redução de 26%, enquanto no ramo financeiro, exceto categoria bancária, houve um aumento de 128%.

Este grupo de trabalhadores formais que está fora do enquadramento em categoria bancária é composto, por exemplo, por profissionais que atuam com planos de saúde, crédito cooperativo, corretores e agentes de seguros e previdência, sociedades de crédito, financeiras, holdings, etc.

Outro dado relevante apresentado pela economista do Dieese foi sobre a média salarial desses profissionais em 2021. Enquanto a média salarial da categoria bancária naquele ano estava em R$ 7.375,28, a de trabalhadores do ramo financeiro ficou em R$ 2.968,98.

Sobre as demissões, Milena apresentou os números do ano de 2023 que mostraram que houve 59 desligamentos e 38 admissões, deixando o emprego bancário nos municípios da base do Sindicato de Campos, com um saldo negativo de 14 postos de trabalho, sendo todos eles, ocupados por mulheres.

Sobre a faixa etária, apenas trabalhadores e trabalhadoras de até 29 anos tiveram saldo positivo na base, todas as outras faixas-etárias tiveram destruição de vagas. Este número também reforça a prática dos bancos em demitir trabalhadores com mais tempo de serviço para contratar novos trabalhadores com menos benefícios e salários mais baixos.

Milena Alves, economista e técnica do Dieese

Ao final do evento, foi apresentado aos participantes um posicionamento da Febraban do ano de 2018, em que a federação já demonstrava seu pensamento liberal em relação às tendências do mercado de trabalho no setor financeiro. Em um trecho da nota, a Febraban diz que “a força de trabalho no futuro deve mudar o quadro de profissionais, trazendo uma lógica de freelancers e profissionais autônomos, bastante especializados que trabalham ao mesmo tempo em vários bancos e fintechs, além de criadores individuais, que desenvolvem rapidamente novos projetos e os passam à frente no mercado – sem esquecer dos robôs que, com a automação, devem assumir as funções triviais”.

Carlos Arthur Newlands, diretor do ramo financeiro da Federa-RJ

Para Carlos Arthur, a fala da Febraban é extremamente ideológica e coloca o trabalhador como empreendedor de si mesmo. “É a meritocracia na veia. Um pensamento que atrapalha o trabalho sindical pois destrói as possibilidades de luta coletiva, com cada um na sua casa”, finalizou.

O presidente do Sindicato, Rafanele Alves Pereira lembrou que a reforma trabalhista também tornou tudo mais difícil, reduzindo a atuação do Ministério do Trabalho no município e dificultando até mesmo o controle de demissões. Rafanele ainda agradeceu a troca de conhecimentos. “Foi uma palestra muito importante para o sistema financeiro que tem mudado muito rápido. A tecnologia muda a cada segundo e precisamos estar conectados e prontos para enfrentarmos essas transformações”, concluiu.

Ao final do evento foi traçado um plano de ação para que o sindicato elabore suas prioridades e estão previstos novos encontros.