Publicado em 03/04/2024 12:07

A Federa-RJ esteve presente no Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região, na noite desta terça-feira (2), para dar o pontapé inicial nas atividades que antecedem a Conferência Estadual dos Bancários. O objetivo dos encontros prévios é abordar os assuntos que estão em voga e que norteiam a luta da classe trabalhadora para que sejam elaboradas propostas para a próxima Campanha Nacional da categoria.
Estiveram presentes no evento, Adriana Nalesso, presidenta da Federa-RJ, Luiz Otávio, diretor de formação da federação e Milena Alves, economista e técnica do Dieese.
Adriana abriu a reunião apontando que um dos desafios da atualidade é lidar com o fechamento de agências e a redução de postos de trabalho. “O objetivo da reforma trabalhista foi acabar com os sindicatos, transformando todos em autônomos, reduzindo assim a sua representação”, disse. A presidenta da Federa-RJ ressaltou ainda a importância de captar os trabalhadores do ramo financeiro que estão trabalhando de forma precarizada nos bancos digitais e nas fintechs. Adriana pontuou também a importância da categoria para o desenvolvimento do país. “Nós somos trabalhadores e fazemos parte do ciclo econômico do Brasil. Tudo que a gente ganha volta para a economia através das mensalidades escolares, da cultura, do turismo. Os banqueiros sempre quiseram retirar os nossos direitos, mas nós estamos aqui porque juntos somos maiores do que eles”, finalizou.

Durante o encontro foram apresentados cinco pontos de interesse para elaboração de propostas: Tecnologia e Emprego no Ramo Financeiro; Igualdade de Oportunidades; Saúde do Trabalhador e Segurança Bancária; Cultura e Perspectivas para a Campanha Salarial da categoria bancária em 2024.
Sobre o avanço da tecnologia, a técnica do Dieese Milena Alves apontou uma redução do emprego bancário, um crescimento dos trabalhadores do ramo financeiro (porém com salários menores, jornada maior e menos direitos) e ainda um avanço no orçamento dos bancos de 76,3% na área de tecnologia nos últimos quatro anos.
Sobre a participação feminina no mercado de trabalho, Milena mostrou que a taxa de desocupação no Brasil é maior entre as mulheres e que o rendimento médio mensal no 4º trimestre de 2023 foi 22,3% menor do que o recebido pelos homens. Na categoria bancária, a queda da participação feminina caminha ao lado do aumento da participação masculina nas áreas de TI (tecnologia da informação). Diante disso, Adriana pontuou que há um diálogo com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para estimular a participação feminina nessas áreas e lembrou que, apesar da aprovação da Lei de Igualdade Salarial, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado, a participação das mulheres em cargos de chefia ainda é muito inferior a dos homens.
A importância da inserção das pessoas com deficiência (PCDs) no mercado de trabalho e da garantia de direitos para o público LGBTQIAPN+ também estiveram presentes no debate e são pautas permanentes, evidenciando que a categoria bancária é exemplo de inserção de pautas da sociedade nos debates e nas negociações.
O tema da saúde trouxe dados preocupantes, mas enfrentados no dia a dia, como o aumento do adoecimento bancário, principalmente de doenças relacionadas à saúde mental. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Observatório de Saúde do Trabalhador do Ministério Público do Trabalho com dados do INSS, quase metade da categoria bancária (40,2%) afirma estar em acompanhamento psiquiátrico e 76,5% dos trabalhadores do ramo financeiro declaram ter tido pelo menos um problema de saúde relacionado ao trabalho no último ano.
Entre as reivindicações da categoria estão alterações na Cláusula 61, de Mecanismos de Prevenção de Conflitos no Ambiente de Trabalho. Uma delas, para que a cláusula seja parte da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e não inserida em Acordo Aditivo e facultativo para cada banco.
O tema da cultura vem sendo debatido ainda de maneira preambular e, segundo Luiz Otávio, neste ano, pretende-se estimular a elaboração de propostas que possam gerar maior envolvimento da categoria com as atividades culturais, utilizando os sindicatos também como instrumento de educação e lazer para a sociedade.
Milena Alves apresentou ainda um balanço dos últimos acordos e índices do Índice Nacional de Preços do Consumidor (INPC) que devem nortear os reajustes da próxima campanha.
O presidente do Sindicato, Rafanele Alves Pereira, agradeceu a participação de todas e todos e elogiou a iniciativa da federação. “A Federa-RJ é uma federação nova, mas presente. Vamos dialogar com a categoria para pensarmos as propostas que vamos tratar nas conferências. Sindicato só é forte com todos juntos”, finalizou.
A Federa-RJ aproveitou a oportunidade para lançar o novo vídeo da campanha “Banco está pior que Uber”, criticando a chamada “uberização” da categoria e lutando contra este conceito moderno que esconde o fim dos direitos para bancários como FGTS, 13º salário, férias e mais do que isso, quem trabalha em banco digital precisa pagar para ter acesso à carteira de clientes.
Veja o vídeo abaixo. Ele também está disponível nas redes sociais da Federa-RJ!
2024 é ano de campanha salarial da categoria bancária e a participação de cada bancária e bancário é fundamental para que os sindicatos se aproximem dos problemas enfrentados no dia e dia e pensem coletivamente em soluções.


