Caixa: velhos problemas prejudicam atendimento de programas sociais

Publicado em 09/04/2024 10:53

O programa Pé-de-meia, do Governo Federal, que beneficiará 2,5 milhões de estudantes, com recursos que chegam a 7,1 bilhões ao ano, tem gerado filas enormes nas imediações das agências da Caixa Econômica Federal.

No município de Campos dos Goytacazes, o aumento das filas do lado de fora das agências foi perceptível nas últimas semanas.

“O programa é excelente! Visa combater a evasão escolar no ensino médio e, com isso, reduzir a desigualdade social a partir da melhoria na educação da juventude”, disse a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt.

Veja abaixo problemas apontados e informações solicitadas pelo movimento sindical:

>falta de planejamento, dados incompletos e problemas de sistemas geram filas enormes nas imediações das agências da Caixa;

>problemas são semelhantes aos vistos durante a pandemia de covid-19, para pagamento aos beneficiários do Auxílio Emergencial;

>imagem da Caixa e do Governo Federal são “arranhadas” desnecessariamente;

>movimento sindical cobra planejamento antes do lançamento destes programas; aumento do efetivo de trabalho; solução dos problemas nos sistemas da Caixa; investimento em tecnologia; suspensão das metas comerciais;

>esclarecimentos e informações sobre o programa.

“Estão vendendo um mundo maravilhoso aos beneficiários. Dizem que os estudantes sequer precisam ir às agências, basta baixar e utilizar o aplicativo Caixa Tem e que sequer é preciso fazer qualquer tipo de cadastro, pois a habilitação é realizada com informações da matrícula na rede pública de educação e do Bolsa Família”, observou.

Fabiana alerta que, na realidade, este “mundo maravilhoso” não existe. “Nada disso está funcionando direito e tudo acaba estourando nas agências da Caixa. Os empregados, que já estavam sobrecarregados e tendo que se virar para superar os problemas de sistemas da Caixa, cumprir suas tarefas e as metas de vendas de produtos estipuladas pelo banco, agora têm que resolver os problemas para que os estudantes tenham acesso ao benefício do programa Pé-de-meia”, observou. “O fato é que o atendimento leva mais tempo e as filas se prolongam”, completou, ao explicar que, para atender o público, as empregadas e empregados estão sendo submetidos a jornadas abusivas e extenuantes de até 12 horas diárias, que os levam a exaustão e ao adoecimento.

“Este mundo maravilhoso inventado pelos bancos privados para justificar a redução de pessoal e o fechamento de agências, com a venda dos serviços de mobile bank e o direcionamento dos clientes para os serviços nos caixas de autoatendimento, esconde que nem todo mundo tem smartphones e planos de internet em seus celulares, que a população não tem conhecimento adequado par o uso destas ferramentas e que os clientes continuam preferindo o atendimento caloroso de um ser humano, não a frieza de uma máquina”, observou Fabi.

A coordenadora do CEE lembra que durante a pandemia já havia ocorrido situação semelhante.

Imagem arranhada

Para Fabi, apesar dos inúmeros benefícios sociais, o programa acaba sendo maculado pela falta de planejamento, por problemas nos sistemas da Caixa e pelo aumento da sobrecarga de trabalho.

Além dos empregados, a população também sofre as consequências da falta de planejamento. “É uma desnecessária exposição negativa da imagem do banco e do governo. Lançam o programa sem que a operacionalização seja organizada. Nada disso estaria acontecendo se o movimento sindical tivesse sido ouvido para contribuir no planejamento. Já vínhamos cobrando melhorias nos sistemas, investimentos em tecnologia, ampliação do quadro de pessoal e melhores condições de trabalho. Isso é bom para os empregados, mas principalmente para a população”, reforçou.