Publicado em 04/06/2024 10:22

O Seminário Internacional sobre Saúde do Trabalhador – Gestão e Adoecimento nos Bancos foi realizado na última quarta-feira (29), em formato online. A iniciativa, voltada para compartilhar experiências em saúde dos trabalhadores bancários, foi organizada pelas secretarias de Relações Internacionais e de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT.
Anna Maria Romano, dirigente da CGIL (Itália) e presidenta da UNI Finanças, compartilhou a experiência da UNI Global Union. Maricarmen Donato, secretária de Relações Internacionais da UGT Espanha, apresentou as ações dos trabalhadores espanhóis. Patricia Rinaldi, da Associación La Bancaria Argentina, discutiu a saúde dos trabalhadores argentinos. A doutora Maria Maeno, médica e pesquisadora da Fundacentro, abordou a condição de saúde dos trabalhadores brasileiros. André Guerra, assessor do SindiBancários de Porto Alegre destacou a saúde como elemento estratégico para organizar e mobilizar os trabalhadores na luta coletiva.
“O seminário proporcionou um panorama das realidades enfrentadas pelos bancários em diversos países, revelando semelhanças preocupantes na gestão bancária. Em todos os lugares, há uma utilização intensiva de tecnologia para aumentar o controle sobre os trabalhadores, impondo metas abusivas e uma pressão exacerbada para atingir resultados. Essas práticas têm levado a um aumento significativo de sofrimento, adoecimento e até suicídios entre os bancários”, afirmou Rita Berlofa, secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT.
Rita ressaltou ainda a importância do evento, dada a pertinência do tema. “Especialmente com o aumento do adoecimento relacionado à gestão das empresas do sistema financeiro, um fenômeno observado em diversos países”, disse ao sugerir à presidenta da UNI Finanças, presente no evento, a realização de um seminário internacional para aprofundar o debate.
Nilce Joia França, vice-presidente do Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes e Região participou do evento e percebeu que os trabalhadores do ramo financeiro de outros países sofrem com os mesmos problemas dos trabalhadores no Brasil. “O que chama a atenção é que em outros países, o ramo financeiro é tratado como setor de vendas, aumentando muito o risco de transtorno mental. Outro fator que colabora com esse aumento é a sobrecarga do trabalho remoto e a dificuldade de desconexão, que faz com que trabalhadores estejam conectados durante dia e noite”.