Economistas do Dieese apontam desempenho dos bancos e impactos na Campanha Nacional

Publicado em 08/06/2024 18:09

A última mesa do dia tratou do tema “Desempenho recente dos bancos e impactos na Campanha Nacional da categoria bancária” com as convidadas Vivian Machado, economista e técnica do Dieese, e Rosângela Vieira dos Santos, mestre em Economia Política pela PUC-SP e técnica do Dieese.

Vivian Machado começou apresentando dados da evolução do lucro líquido dos cinco maiores bancos (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander) ao longo dos anos e demonstrando que apesar da alta lucratividade, a performance de cada um ocorreu de forma diferente. No 1º trimestre de 2024, os lucros dos cinco bancos cresceram, com exceção do banco Bradesco.

Com relação à inadimplência, no ano de 2022 as taxas subiram em função de problemas no segmento pessoa física. Já em 2023, o segmento pessoa jurídica também foi afetado pela inadimplência, especialmente no Bradesco. A partir do 4º trimestre de 2023 as taxas começam a cair, mas no 1º trimestre de 2024, os bancos mencionaram novos problemas com clientes do segmento PJ.

Vivian mostrou também o número de fechamentos de agências tradicionais no Brasil que, nos últimos cinco anos, foi de 3,2 mil agências em todo o país, sendo 88% dos fechamentos em bancos privados e através de um comparativo, foi possível perceber que enquanto há um crescimento das fintechs, há uma redução do emprego bancário.

Rosângela Vieira reforçou que apesar dos resultados recordes de alguns bancos, como Itaú e Banco do Brasil, outros tiveram um resultado abaixo do esperado, como Bradesco e Santander, que possuem maior inadimplência, causando uma assimetria no resultado financeiro dos principais bancos em 2023. A economista chamou a atenção para a informação de que os bancos públicos são os mais rentáveis pelo segundo ano consecutivo e na contramão das instituições privadas, são os que menos fecham agências.

Veja abaixo o comparativo histórico dos reajustes salariais ao longo dos anos:

Para finalizar, Rosângela disse que “em um cenário de menor inflação, há espaço para a negociação de pautas afirmativas como a saúde dos trabalhadores, a jornada reduzida e ainda a questão das emergências climáticas, colocando de novo a categoria bancária na vanguarda das pautas relevantes para o desenvolvimento da sociedade”.