Soberania nacional é o caminho para um país livre do colonialismo digital

Publicado em 08/06/2024 12:44

Ainda durante a manhã, a 26ª Conferência Nacional dos Bancários abordou o tema de extrema relevância para a categoria bancária, “Inteligência Artificial e seus impactos na vida e nos empregos”, com o convidado Sérgio Amadeu, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e professor associado da Universidade Federal do ABC (UFABC).

O professor começou sua exposição conceituando a inteligência artificial que ele classifica em três abordagens: simbólica, em que a inteligência é a capacidade de manipular símbolos usando a lógica; a conexionista, em que a inteligência é a capacidade de realizar tarefas complexas de classificação usando redes neurais; e a de aprendizado, que pressupõe que a inteligência é a capacidade de aprender com a experiência.

Sérgio Amadeu apresentou dados importantes que mostram que desde 2014 a concentração de recursos tecnológicos está nas mãos das big techs e não mais das universidades. “Não é a máquina que vai dominar o ser humano, são as big techs que vão concentrar esse poder”, alertou. Apesar de ter um número expressivo de universidades e centros de pesquisa, estruturas públicas que geram grande quantidade de dados e inúmeras empresas estatais de tecnologia da informação, o país não aparece entre os desenvolvedores de modelos significativos de IA.

Ao comentar sobre armazenamento de dados, o professor alertou para os impactos ambientais dos Data Centers e disse que para manter a temperatura adequada para seus milhares de servidores, os Datas Centers já são responsáveis por 2,5 a 3,7% das emissões globais de gases de efeito estufa, superando a indústria de aviação.

O professor ressaltou que a produção de tecnologia impacta os territórios e finalizou sua fala com uma mensagem de apelo e luta pela soberania digital nacional, com esforços para criação de infraestruturas soberanas de armazenamento de dados, começando pelas nossas universidades e com novos arranjos econômicos; frameworks para o treinamento de modelos com os dados disponíveis em nosso país e nossos comitês de ética; conter a extração de dados do Estado e das universidades realizadas pelas Big Techs, utilizando o poder de compra do Estado para desenvolver nossas estruturas de IA soberanas; e inserir a questão da redução do impacto ambiental da dataficação e da IA com a finalidade de encontrar soluções de armazenamento de dados distribuídas e inteligentes. De acordo com ele, esse é o caminho para ver o país livre de um colonialismo digital.