Publicado em 27/08/2024 10:03

Na última quinta-feira (22), bancários de São Paulo foram agredidos com arma de choque, cassetete e spray de pimenta pela Polícia Militar (PM) de São Paulo durante um protesto contra à terceirização, que ocorria em frente à sede administrativa do banco Santander.
Acionados pela direção do banco espanhol, os policiais agrediram os trabalhadores com enorme truculência, agressividade e despreparo.
Porém, por mais lamentável que seja a postura do banco e a obediência da Polícia Militar, uma instituição que deveria proteger a sociedade, mas foi treinada a partir de 1964, durante o período da ditadura militar, para reprimir manifestações e greves, a postura violenta contra trabalhadores e subordinada ao banco, já foi vista pelo movimento sindical aqui em Campos dos Goytacazes.
No dia 23 de agosto de 2022 , o sindicato realizava um ato da Campanha Salarial no bairro da Pelinca – outro centro financeiro da cidade que abriga oito agências bancárias – quando foi surpreendido por uma funcionária do banco Santanter chorando, pois acabava de ser demitida. A bancária foi imediatamente acolhida, e o sindicato ocupou a frente da agência do Santander, como forma de protesto.
De maneira truculenta e antissindical, o gerente da agência chamou a polícia, gerando assim indignação não só da diretoria que estava presente, mas de bancárias e bancários que contam com a entidade não apenas como um espaço de acolhimento e proteção, mas também como um canal de denúncias.
Na época, o presidente do sindicato Rafanele Alves Pereira foi violentamente agredido pelos policiais, algemado e preso.
Ocorre que, nesta segunda, dia 26 de agosto, enquanto o sindicato realizava paralisações em todas as agências bancárias da Pelinca, diretores que estavam presentes na agência Santander do bairro, a mesma da ocorrência de 2022, foram surpreendidos pela chegada de um suposto policial à paisana, de capacete e touca ninja, que se dirigiu ao gerente geral da agência para saber se estava “tudo direitinho aí?”
Segundo Sérgio Maurício, diretor sindical que presenciou o diálogo, o gerente geral da agência respondeu que estava tudo bem e que a agência abriria após o meio dia, pedindo para ele retornar depois e foi novamente questionado pelo suposto policial: “Eles estão documentados?”, perguntou. E o gerente respondeu: “Sim, é a nível nacional”.
Segundo relatos de um funcionário do sindicato que também estava no local, antes de ir embora, o suposto policial à paisana declarou, se gabando: “Fui eu que prendi o seu presidente da outra vez”.
Relatos apontam que o suposto policial à paisana é visto com frequência na agência, o que indica que o banco se relaciona diretamente com integrantes da polícia militar, mesmo que não estejam uniformizados e fora do horário de serviço.
O Sindicato dos Bancários de Campos dos Goytacazes repudia não apenas a postura do gerente da agência, mas qualquer ato antissidical que vise punir, prejudicar ou perseguir o movimento sindical e cobra do banco Santander, explicações sobre esse relacionamento do gerente com supostos policiais sem uniforme.
Os sindicatos são indispensáveis para a melhoria das condições de trabalho e para a promoção do trabalho digno e a entidade não se intimidará e continuará lutando pela proteção de todos os trabalhadores bancários e é dever de todas e todos respeitar a atuação sindical.
O Sindicato ressalta que continuará lutando para que bancárias e bancários de todos os bancos, inclusive o Santander, tenham seus direitos segurados e seu direito de representação pelos sindicatos, protegidos. Não nos intimidarão!