Mês da Mulher – Em 2022, mulheres gastaram 21 dias a mais do que os homens em afazeres domésticos

Publicado em 10/03/2025 08:37

Em 2022, as mulheres passaram à frente dos homens na chefia dos lares brasileiros, tornando-se responsáveis por 52% dos domicílios. Nos lares monoparentais, aqueles onde apenas um adulto vive com os filhos, sem a presença de um cônjuge, a chefia feminina chegava a 92%.

Se por um lado os dados podem refletir bons resultados do mercado de trabalho, por outro, fica clara a sobrecarga desigual que essas mulheres carregam.

De acordo com pesquisa do Dieese, em 2022, mulheres gastaram, em média, 21 dias a mais do que os homens cuidando de tarefas domésticas. Em média, foram 499 horas a mais em afazeres domésticos. A pesquisa aponta que as mulheres dedicaram 1.111 horas enquanto os homens, 612 horas.

Outro dado alarmante é que cerca de 13 milhões de mulheres disseram que não estavam aptas a trabalhar porque tinham que cuidar dos afazeres domésticos, filhos ou outros parentes. Esse número representou cerca de 31% das mulheres fora da força de trabalho. Por outro lado, apenas 3% dos homens fora da força de trabalho afirmaram que os afazeres domésticos ou cuidados com outras pessoas não permitiam que eles trabalhassem.

O uso do tempo sempre foi uma das principais pautas da disputa dos trabalhadores. Além da jornada de trabalho, muito tempo é gasto na realização de afazeres domésticos, como limpeza, manutenção e o cuidado de membros da família, especialmente crianças e idosos. De novo, as mulheres são penalizadas com mais responsabilidade e tempo dedicado às tarefas domésticas.

Considerando o tempo gasto com o trabalho e as tarefas domésticas, a dupla jornada, tanto dos homens como das mulheres, é extensa. Em média, homens têm dupla jornada semanal de 53 horas e mulheres, de 55 horas. E isso sem considerar o tempo de transporte até o local de trabalho. Ou seja, há uma sobrecarga de trabalho total entre as mulheres, o que acaba por penalizá-las em outras esferas da vida, como nas atividades de socialização, lazer, participação política e educação.