Publicado em 07/11/2025 08:57

As atividades do mês da Consciência Negra começaram, nesta quinta-feira (6), com um importante espaço de reflexão e luta: o VIII Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro, realizado na sede do Sindicato dos Bancários do Ceará, com cerca de 120 participantes inscritos, uma das maiores adesões da história do evento. O evento segue até esta sexta-feira (7).
Promovido pela Contraf-CUT, o fórum marca o início de um mês simbólico, que culmina no 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra e feriado em homenagem a Zumbi dos Palmares, líder quilombola que representa a resistência e a busca pela liberdade do povo negro no Brasil.
Representando o Sindicato dos Bancários de Campos e a Federa-RJ estão presentes Lorenna Pansini, diretora da Mulher Trabalhadora e Érica Marcelino, diretora de Políticas Sociais, ambas da base de Campos e da diretoria da Federa-RJ. Adriana Nalesso, presidenta da Federa-RJ e as diretoras Paula Rodrigues e Albertina Dias também participam do evento.
“Estou muito feliz em participar do VIII Fórum da Visibilidade Negra, um espaço fundamental para fortalecer a luta antirracista e reafirmar a importância da nossa presença e da nossa voz no movimento”, afirmou Érica Marcelino, que participou da mesa “O parlamento como forma de resistência”, na noite do primeiro dia de evento.
Apesar dos avanços, os números mostram que o racismo estrutural continua marcando profundamente a sociedade e o mundo do trabalho. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que mulheres negras recebem, em média, 53% menos que homens brancos. No mercado financeiro, a sub-representação da população negra em cargos de liderança e o preconceito velado ainda são realidades que precisam ser enfrentadas.
No país, o racismo também se manifesta de forma brutal nas estatísticas da violência. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 revela que 79% das vítimas de homicídios em 2024 eram pessoas negras, e quase metade (48,5%) eram jovens entre 12 e 29 anos. “Esses números escancaram que o racismo não é um problema individual, mas estrutural. Está nas oportunidades, na renda e, tristemente, no direito à vida”, afirmou o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar.
Durante o fórum, lideranças sindicais e representantes do movimento negro discutem estratégias para ampliar a inclusão racial no sistema financeiro, fortalecer a formação política e sindical e combater as diferentes expressões do racismo dentro e fora dos bancos.
O VIII Fórum Nacional pela Visibilidade Negra reafirma o compromisso da categoria bancária com a luta antirracista, a valorização da diversidade e a promoção da igualdade de oportunidades. Em um país onde a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado, a resistência segue sendo urgente e necessária, tanto dentro dos bancos, quanto nas ruas e em toda a sociedade.


