Economista contesta previsões de desemprego e diz que fim da escala 6×1 é positiva

Publicado em 10/03/2026 11:34

Pauta da CUT, que conta com o apoio do governo Lula, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem reduzir os salários ganhou força no Brasil. A expectativa é a de que o presidente da Câmara Hugo Motta coloque em votação o projeto no mês de maio.

Caso o projeto não avance no Congresso Nacional, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse na última terça (3), em evento em São Paulo, que o governo federal poderá enviar um projeto de lei com urgência. Assim, tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado terão 45 dias para deliberar o tema, sob pena de trancamento da pauta.

As maiores críticas ao projeto vêm do setor empresarial que resiste às mudanças propostas, afirmando que o fim da escala 6 por 1 pode provocar desemprego e prejudicar a economia do país.

Segundo a economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp, autora do “Dossiê 6×1”, a redução da jornada de 44 para 36 horas poderia criar até 4,5 milhões de empregos e aumentar a produtividade em cerca de 4%, o que contradiz os críticos da proposta.

O estudo, que foi realizado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores do país cumprem jornada superior às 44 horas semanais previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A pesquisa revela ainda que, além disso, 76,3% das pessoas ocupadas no Brasil têm jornadas superiores a 40 horas semanais, sendo que 58,7% de todos os empregados trabalham entre 40 e 44 horas semanais.

Para a especialista, essas são evidências de que o brasileiro está entre os que mais trabalham no mundo, e que a redução da jornada de trabalho pode ter um efeito positivo para o conjunto da economia.

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