Publicado em 28/05/2026 09:19

Mais uma rodada de reuniões entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa e a direção do banco terminou, nesta terça-feira (26), sem respostas efetivas para temas que impactam diretamente a vida dos trabalhadores. Saúde Caixa, remuneração variável, transformação digital, atendimento remoto e condições de trabalho dominaram os debates, mas o banco voltou a se limitar a promessas de estudos, avaliações e imersões técnicas, sem apresentar medidas concretas.
Segundo a representação dos empregados, o sentimento que marcou o encontro foi o de um verdadeiro pedido de socorro da rede de atendimento. “Trabalhadores relatam aumento da pressão, sobrecarga operacional, perdas financeiras e crescimento dos casos de adoecimento, ao mesmo tempo em que precisam atender simultaneamente clientes pelos canais presencial e digital”, afirmou o coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco.
“Levamos esse cenário para a mesa e cobramos respostas concretas, mas a Caixa segue adiando decisões sobre questões que afetam diretamente a saúde, a renda e o futuro dos empregados”, completou Felipe.
Transformação digital preocupa trabalhadores
A ampliação dos projetos de atendimento remoto e da integração “figital” (presencial, em unidade física, e digital) também gerou preocupação entre os representantes dos empregados. Embora a Caixa apresente o processo como modernização, as entidades alertam para os riscos de precarização das condições de trabalho, aumento da pressão por resultados e crescimento dos casos de adoecimento.
Durante a reunião, a representação dos empregados reforçou que gerentes e demais empregados relatam aos sindicatos as dificuldades para conciliar o atendimento presencial com as demandas digitais, em um ambiente marcado por metas elevadas, insegurança operacional e falta de clareza sobre indicadores de desempenho.
As entidades de representação sindical dos trabalhadores cobraram informações sobre os impactos do modelo na saúde mental dos empregados e pediram acesso aos dados de afastamentos relacionados ao trabalho.
Super Caixa
O programa Super Caixa também foi alvo de fortes críticas. Os representantes dos trabalhadores relataram reclamações vindas de diversas regiões do país sobre regras consideradas obscuras, alterações frequentes nos critérios de avaliação e penalizações decorrentes de fatores que fogem ao controle dos empregados.
As entidades cobraram transparência, apresentação de simulações comparativas entre os modelos de remuneração variável e abertura de negociação efetiva sobre o programa.
Tanto com relação ao processo de transformação digital e as reestruturações promovidas pela Caixa, quanto com a remuneração variável proporcionada pelo Super Caixa e programas de bonificação e comissionamento da Caixa, as entidades observam que os impactos recaem sempre sobre o pessoal da rede de agências, resultando em precarização do trabalho, redução de funções e perda de direitos. A representação dos trabalhadores cobrou mais transparência da Caixa e voltou a exigir que qualquer reestruturação seja debatida previamente com os representantes dos trabalhadores, conforme previsto no acordo coletivo.
Saúde Caixa
A representação dos trabalhadores cobrou a retomada imediata das negociações sobre o Saúde Caixa, tema que deve ocupar posição central nas negociações com o banco durante a Campanha Nacional dos Bancários de 2026. As entidades reforçaram a defesa do plano de saúde e a necessidade de derrubada do teto de custeio imposto pela própria Caixa em seu estatuto, mecanismo que aumenta a participação financeira dos empregados e gera insegurança sobre a sustentabilidade do plano.
A não participação da Caixa no custeio do plano de Saúde para os empregados admitidos a partir de setembro de 2018 afeta cerca de 15 mil trabalhadores.
Projeto Gênesis e cobrança por transparência
Outro tema debatido foi o Projeto Gênesis. Durante a reunião, a Caixa assumiu o compromisso de não promover ranqueamentos das unidades participantes do projeto, uma reivindicação apresentada pela representação dos trabalhadores diante do receio de que novos mecanismos de avaliação aumentem a competição interna e a pressão sobre as equipes.
Além disso, as entidades cobraram transparência sobre os critérios utilizados para definir as ondas de migração, participação efetiva dos trabalhadores nos projetos-piloto e escuta das equipes diretamente impactadas pelas mudanças.
Sem respostas para questões centrais
Ao final da reunião, permaneceram sem resposta perguntas consideradas fundamentais pela representação dos empregados:
>Quando haverá revisão efetiva do Super Caixa;
>Qual será a solução para os empregados pós-2018;
>Como o banco pretende enfrentar o problema do teto do Saúde Caixa; e
>Quais medidas serão adotadas para evitar que o atendimento digital amplie ainda mais a sobrecarga e o adoecimento dos trabalhadores.
“A Caixa continua acumulando estudos enquanto os empregados acumulam pressão, perdas financeiras e adoecimento. Fica cada vez mais evidente que somente a mobilização da categoria será capaz de arrancar respostas concretas e garantir a defesa dos direitos dos trabalhadores”, concluiu Felipe Pacheco.