Categoria bancária entrega minuta de reivindicações à Fenaban

Publicado em 29/06/2026 10:11

O Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias entregou, no dia 24 de junho, a minuta de reinvindicações para a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O encontro marca oficialmente o início da Campanha Nacional Unificada para a reposição da inflação, reajustes salariais e outros direitos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que deve ter a assinatura renovada até a véspera da data-base da categoria, em 1º de setembro.

A primeira mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada também já tem data marcada. Será no dia 2 de julho, na capital paulista.  

“Esse é um documento construído coletivamente, a partir de conferências regionais, estaduais e com base na Consulta Nacional que, neste ano, teve a participação de cerca de 55 mil bancários e bancárias de todo o país”, destacou a coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, completando que a minuta contém reivindicações gerais e de grupos específicos, a exemplo das pessoas com deficiência. “É o resultado de uma construção ampla”, pontuou.

Juvandia ressaltou ainda que o Comando Nacional representa federações de todas as regiões do país, três centrais sindicais (CUT, UGT, Intersindical e CTB) e diferentes forças políticas.

Os principais eixos da pauta de reivindicações da categoria são:

>5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;

>Fim das metas abusivas;

>Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);

>Manutenção dos direitos conquistados;

>Manutenção da mesa única, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;

>Defesa do emprego bancário;

>Defesa dos bancos públicos;

>Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.

A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, ressaltou que a negociação da categoria bancária serve de parâmetro para outras categoriais. “Ao longo de anos, construímos uma CCT robusta em direitos sociais e com reajustes reais (acima da inflação). Temos, agora, nesta nova campanha de renovação da CCT, a expectativa de seguir avançando, não só nas pautas econômicas como também nas pautas sociais, na garantia do emprego bancário e do papel social e econômicos que os bancos precisam cumprir”, completou.

Entre 2020 e 2025, o lucro líquido do Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 114%, com destaque para os bancos digitais, que registraram salto de 2.137% no lucro, seguido pelas cooperativas com 180% de aumento. No mesmo período, os bancos privados e públicos também mantiveram tendência de alta, com crescimento de 114% e 46%, respectivamente.

Entretanto, apesar desse cenário de lucros multibilionários, os bancos seguem fechando agências e reduzindo postos de trabalho. “A luta da categoria bancária por valorização salarial e profissional é uma luta de distribuição dos lucros multibilionários do setor. Os cinco maiores bancos do país lucraram R$ 145 bilhões em 2025, e neste ano, só os três maiores bancos privados – Bradesco, Itaú e Santander – já obtiveram lucro de R$ 35 bilhões no primeiro trimestre, resultado 16% maior que do mesmo período do ano passado”, reforçou Juvandia Moreira.

A dirigente registrou ainda que, entre 2024 e 2025, foram fechados 14 mil postos de trabalho e mais de 1.300 agências foram encerradas pelos cinco maiores bancos. “Essa reestruturação está preocupando categoria, aumentando a insegurança sobre a manutenção do seu emprego, onde será o seu local de trabalho. Tudo isso estará em debate nessa campanha nacional”, arrematou.

ULTRATIVIDADE

O Comando Nacional também defendeu a assinatura de um pré-acordo para garantir a ultratividade da Convenção Coletiva de Trabalho, fundamental para dar segurança aos trabalhadores durante o processo de negociação. A ultratividade assegura a manutenção de todas as cláusulas e conquistas da categoria até a celebração de um novo acordo, preservando direitos e garantindo equilíbrio nas negociações.